O sol que se foi.

Ela estava sentada ao lado dele. Estavam contemplando o pôr-do-sol pintado na parede. Mal feito. Ele balançava os pés e imaginava sentir o calor emanado pelos raios solares.
Ela olhava um caderno. Pegou uma caneta e rabiscou algo. Olhou para a parede desgastada, olhou para ele. Estavam sentados no alto de um prédio, abaixo deles havia um precipício. Cidade morta.
– O sol se foi, pare de olhar isso.
– O que está dizendo? – Ele a olhou quase como chocado.
– Presta atenção – ela gritou – o mundo foi destruído, não há mais vida, terra, natureza. O sol se foi! SE FOI! – O garoto com indício de barba nascendo no rosto, olhou para ela como uma estranha.
– Temos que ter esperança. – Ele sussurrou para o sol na parede. Ela não o encarou, pegou o caderno, arrancou a folha e jogou fora, como se nela houvesse segredos que ele não poderia conhecer. Deixou que voasse longe, o cemitério de concreto.
– Não existe esperança. – Ela murmurou, se levantou e foi.
Ele continuou olhando para o mundo morto, numa esperança de que tudo voltasse ao normal. Não a seguiu, não a olhou, continuou sentado sentindo os raios solares imaginários.
Parecia que agora sim o mundo havia acabado. Para ela, havia acabado em lágrimas.

Anúncios

Comente.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s