Lembranças eternas que cabem num minuto pequeno.

– Sabe o que é amor? – A fumaça subiu fugindo mansamente dos lábios secos e pequenos.
O homem olhou para ela, a mulher fumante. O olhar que tinha era quase como “Não me importo se não disser”, mas os lábios ficaram com a interrogação na boca, reprisado com a fumaça.
Na cabeça do homem um martelo foi jogado numa bigorna, amassando uma lembrança ainda fervente.
Nela havia uns olhos puxados, pequenos de índia. Uma pele amorenada, cabelos curtos e escuros.
O corpo voluptuoso. Nada disso dizia nada, poderia ser lembranças de uma mulher bonita, atraente, cuja beleza o impressionou. Contudo havia mais, ele se lembrava das coisas bobas, cujas mulheres sonham que um homem repare, como a forma de segurar uma xícara, a forma como ri baixo para não chamar atenção. Da forma como era bondosa sem querer nada em troca, da forma como amava todas suas imperfeições.
Na cabeça do homem algo martelou, mas martelou tão forte que a dor chegou ao coração. Ele olhou para a mulher, cuja interrogação ainda estava nos lábios, enquanto deixava a fumaça liberta.
Essas são lembranças que não demoram nem três minutos em nosso mundo, mas é tanto tempo em pouco tempo que parece para sempre.
– Não – São lembranças que se obriga a apagar para sempre, ou então, então o coração iria doer com uma martelada eterna.
A fumaça ainda subia quando a mulher deu um meio sorriso, mentira é mentira, e mentirosos não compartilham segredos.

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