Não faça como eu, relacionamentos mentirosos.

Olha pro meu rosto. 
Olha pra mim. 
Lembra quando eu disse que amava você? 
Eu não menti. 
Olha, olha pra mim, me encare. 
Lembra quando eu disse aquelas coisas de coração? 
Eu não menti. 
Lembra quando eu disse que não te amava do mesmo jeito que você?
Eu não menti. 
Lembra quando eu disse que éramos só amigos? 
Eu não menti. 
Olha pra mim. 
Olha pra quem você está acusando de ter te destroçado. 
Lembra quando eu disse que era teu amigo? 
Eu não menti. 
Juro que não menti em nada. 
Lembra quando você disse que me amava? 
Você mentiu. 
Você que mentiu. 
Mentiu por não querer que eu seja feliz. 
Mentiu pelo egoísmo que te cega. 

Lembra quando disse aquelas coisas para mim? 
Me magoou. 
Me feriu. 
Pessoas que dizem amar as outras e querem que elas fiquem somente pra elas são mentirosas egoístas. 
Cadê o amor? 
Cadê a droga do amor?
O amor é uma droga! 
Lembra quando mentimos juntos? 
Você e eu?
Se vá. 
Se foi. 

Eu cansei, eu fui. 
Fugi de você e sua carga emocional que me sufocava, que me fazia querer vomitar tudo. 
Agora a culpa é minha, só minha. 
Não é assim? 

Não é sempre assim? 

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De dois lados mundos distintos.

Hoje é um dia. Dia 27 de março.
Acordou o homem e se sentou na cama. O chão batido, a mulher dormindo, a criança do lado.
O homem olhou a janela, o sol ainda não havia nascido.
– Nasceu o homem num dia difícil. – se levantou o homem cansado. Coçou a barba sem fazer. Botou a água no fogo.
O homem não pobre, mas miserável se esticou. Queria café.
Jogou na Mega-Sena ontem, sabia já que não ia ganhar. Esperança não enche barriga, falou seu pai.
Pegou a enxada depois que tomou o café.
O homem não tinha dinheiro pra pagar a casa alugada. Iam pro olho da rua amanhã.
Ele, a mulher e a criança pequena.
Pegou o radio de bolso e foi trabalhar.
No outro lado da cidade, um homem olhou a janela de vidro, lá fora o dia parecia tão agradável.
O quarto do tamanho da casa do outro homem estava bem mobiliado.
Ele sorriu, hoje acordou com vontade de trocar de carro, de novo.
Havia jogado na Mega-Sena. Sabia que não ia ganhar. Mas o que importa? Tinha mais dinheiro que duas delas acumuladas.
Gostava de brincar com a sorte.
Seis da tarde o homem cansado chegou em casa. Na panela uma água fervia sem nada.
– Estou com fome mulher.
– Compra o que comer. – Ele coçou a barba mal feita, sentou na cadeira de plástico contrariado. Ligou a pequena TV.
A mulher botou um fubá na água, ia dar caroço!
Na televisão começou anunciar o ganhador da Mega-Sena.
“E os números sorteados foram.. ” o homem anunciava. Então, sentados lado a lado o homem pobre e o homem rico olhavam com desânimo para o apresentador engomado.
Um em cada mundo, o rico e o pobre. Na mesma cidade, de cada lado. Opostos ao outro.
Na TV anunciando os números foram ditos.
O ganhador um homem rico. O perdedor todos os outros homens pobres.
O sorriso pairou no rosto do homem rico, ele se esticou e depois desligou a TV.
– Eita sorte grande. – O homem pobre desligou a TV. Melhor comer e dormir, gente pobre não tem sorte. E o tempo não espera se ficar sentado.
Amanhã era um novo dia, o homem cansado tinha que trabalhar, o aluguel de hoje foi um custo pagar.
E o homem rico tinha mais dinheiro pra receber, muita coisa pra fazer.

Pode não ser troca de corpos, ou apenas de alma. Você se conhece?

Estou tentando explicar algo terrível que aconteceu comigo. Mas me sinto tão calma.
Não gosto de me expor assim, mostrar quem sou. Meu sexo mostrando ser frágil.
Estava dentro do ônibus indo pra um lugar qualquer quando, então, eu me vejo num reflexo e lá estou eu me olhando como se olhasse uma qualquer.
O cabelo me cai ao rosto e ao dela também.
Meu coração martela. Onde eu fui? De quem é esse corpo?
O que aconteceu a dona dele?
Onde ela foi?
Dói respirar, dói tudo que pareço sentir.
Preciso de encontrar o Moura, preciso agora.
Preciso achar meu corpo.

“O sol entra pelas frestas do quarto fazendo o lençol mudar de cor.
Mas a luz solar não é branca? Por que ela entra aqui amarela assim?
Ela se esticou expondo marcas do corpo.
Sente? As folhas caindo?
Ela se levanta, inerte ao ambiente. A tudo em sua volta.
Tira a roupa e entra no boxe, depois abre a ducha e deixa a água cair.
Ela canta em sua cabeça, canta qualquer coisa para a despertar.
Sai do chuveiro.
Vai até o quarto e se olha no espelho.
Quem é essa estranha?
Quem é ela? Onde estou? QUEM SOU EU?”
Nesse momento que eu voltei para o meu corpo, nesse momento voltei para o corpo dela.
Não sou mais eu, não sou ela.
-Por que estou tão calma?
-Por que estou tão nervosa?
Essa não sou eu.

Eu estou sozinho, e não adianta olhar para qualquer lado. Almas penadas sentem medo de vivos.

Sinto que estou definhando aos poucos.
Como uma morte lenta que vai entrando em seu corpo sadio e aos poucos consome sua saúde.
Não a morte que deixa teus familiares, amigos e íntimos chorando aos cantos, murmurando, amaldiçoando, clamando e inertes.
Não, é uma dor que rasga a alma com uma lâmina de fogo crua e cruel, que faz você temer a cama e os teus sonhos.
Tua consciência lhe aponta com o dedo magricela e morto.
Entende minha morte?
Entende minha dor?
Não. Não entende.
Ontem fiquei horas olhando para o vazio que vazio quase estou.
A morte me sussurra com teu frio no meu ouvido, e ela me deixa tão gelado que me faz sentir que minha hora chegou.
Onde está minha esperança?
Eu devia ter esperança?
Por que?
Você vai segurar minha mão na segunda feira quando eu não respirar?
Meu caminho torto irá dizer “cansei, cansei de te trilhar”
Me ouve cantar!
Me ouve chorar.
Deixe que mostre que choro Pai.
Deixe que vejam que sou homem de carne e osso.
Já não aguento mais esperar, não é medo, covardia ou qualquer que for tua acusação.
Você me abandonou e é tua culpa minha morte precoce.
Me deixe sentir o que sinto sem me envergonhar.
Nua está minha alma em falência ao meu estado atual.
Meus pensamentos sujos que me faz penetrar a podridão do sempre.
Devia quantos mais matar?
Não. Não. Não.
Me entende?
Me deixe cantar!
Me entende?
Olhei para o vazio a noite toda até que o sol chegou e preencheu a solidão da lua.
Mas eu não tenho sol.
Eu não tenho primaveras.
Eu não tenho verões.
Eu mal tenho o outono e sobrevivo ao inverno eterno.
Me cortei com uma faca de cozinha cega.
Me cortei até que meu sangue preto virasse rio e me levasse a navegar entre os barcos sem rumo.
Estou sem rumo.
Meu caminho se foi e me deixou no nada.
Eu vim de um canto escuro qualquer, sozinho, ora sentava, ora andava. Minhas pernas já não me obedecem.
Obedecem minha alma pelada, meio rasgada, meio apagada.
E percebe que ela não obedece?
Não percebe que o que era para ser o melhor de mim é o meu pior?
Não devo lamentar se eu não tenho dívidas.
Mas ah eu as tenho! E se as tenho.
Você nunca segurou a minha mão, nunca.
Sempre foi embora mais cedo.
Sempre.
E eu, homem morto em vida contínua não vou lamentar.
Não vou.
Hoje é terça.
Hoje já é terça!

Confissão de um morto que sussurra nas mentes dos loucos.

Você corou? 
Quando eu a beijei a força. 
Você chorou? 
Quando eu bati no teu rosto. 
Você pecou? 
Quando eu entrei em ti. 
Você me amou? 
Quando eu fugi. 
Você me procurou. 
Junto com um filho na barriga. 

 

Eu disse que iria rasgar o teu útero. 
Eu disse que iria te cortar. 
Você sorriu. 
Sorriu quando eu comecei gritar. 
Me chamou de coisa ruim, o nome que não citamos. 
Me agrediu com tuas palavras podres. 
Você não chorou? 
Quando eu te chutei com meu terror. 
Você não correu?
Não teve medo? 
Eu não o faria se o tivesse. 
Por que não me temeu? 
Por que morreu? 
Agora terei que criar esse filho, que nem é meu. 
Você se foi? 
Se cobriu no manto eterno da terra escura. 
Sorrindo, sorrindo com teu sorriso maligno. 
Acabou com tudo que era meu. 
Ele não chorou quando eu a mostrei.
Morta por mim.
Morta por mim. 
Morta por mim. 
Ele morreu.
Morreu por ti, jogado podre no banheiro. 
E eu, eu ainda estou aqui. 
Você corou? 
Quando eu nunca a amei. 

Imagem
– Não sou louca. Não sou louca. Não sou louca.
Sou doente de alma. Sou doente de louca.
Será que nos faz diferente ser quem somos quando vocês mentem?

Amor, a mor, a mártir dor.

A minha alma chorou hoje. 
Sangue em sabor de mel. 
Procurei escudo na minha fé. 
Mas ela é tão pequena que não me esconde. 
Não me esconde. 
Minha alma se rasgou de dor. 
Preciso de Ti. 
Preciso de Ti. 
Me contornei no corpo, procurei um lugar entre as brechas. 
Não tenho medo do escuro, não tenho medo do obscuro. 
Tenho medo da luz, onde todos possam me ver. 
Olhei para o céu e gritei. 
Gritei comigo, gritei pra mim. 
Se alguém tem culpa sou eu. 
Se Ele  não está perto foi eu quem afastei. 
Adeus meu eu.
A Deus eu vou. 
Meus membros estão moles, sem ossos que sustentam. 
Igual minha pobre alma, que meu corpo não aguenta. 
Esse peso, essa dor. 
Quanta lamentação. 
Vou sorrir, vou sorrir e mostrar que posso ser feliz. 
Olhe meus dentes tortos.
Todos mentem, todos mentem. 
Eu, 
Eu minto. Eu também minto. 
Voltei para dentro meu bem, a noite já se foi. 
Eu também sinto. 
Fingir que sou um mártir não vai me transformar em herói. 

 

Meu corpo é um pote seco que guarda um líquido vívido.
Meu corpo é um pote seco que guarda um líquido vívido.

Meu sabor bocal invadiu o meu estomago.

Faz tempo que não faço isso. 
E confesso que não me sinto bem. 
Meu corpo parece se sacudir em dor, onde está a liberdade de expressão? 
O livre arbítrio? 
A doença que está em mim devia sair quando eu quisesse, mas ela não o faz.
Esse gosto que me toma, esse sabor forte de ferrugem impregnando em meus dentes. 
Salgando minha alma. 
Faz tempo que não faço isso, é, confesso, não sei se eu queria ter feito. 
Na minha cabeça eu vejo coisas andando, vejo coisas dançando. 
Verde, vermelho, rosa, roxo, preto, prata, branco, bege. 

Vê? Consegue ver também?
Confesso, fazia tempo que eu não confessava, acabei não confessando nada. 
Meus pecados são imundos e quando ela vier eu os conto. 
Somente quando, somente quanto. 

Dentro de mim é terra desconhecida. Cheio de caminhos tortos e florestas escuras.
Dentro de mim é terra desconhecida. Cheio de caminhos tortos, florestas escuras e sentimentos indecisos.

Em casa, na rua, onde se foi meu lar de pernas longas?

Eu senti isso ontem novamente.
Eu não devia, mas eu me seduzi pelo reflexo que produzia.
Em casa meu pai está deitado na cama, minha mãe tentando esconder as marcas do corpo.
Pra que guardar isso tudo?
Pra que esconder isso tudo?
Pra que não deixar tudo levar?
Não é que eu não quero resistir.
Não é que eu quero parar. 
Não, não quero.
Quero mais, e mais, e mais.
Quero um trago, quero injetar.
Não é que eu pense em morrer.
Mas é que em casa não tem nada pra comer.
Me dá um beijo querida morte.
Eu vou provar para você que eu posso viver.
Que eu vomite todos meus sonhos, toda minha segurança.
Que eu vomite tudo o que eu queria ter e o que eu tenho.
Que eu seque, definhe.
Que eu crie coragem e possa morrer.
Mais uma vez eu vou beber, fumar, injetar. 
Que eu escolha. 
Que eu possa não ficar com marcas roxas.