Primeira, segunda, terceira. Nossas pessoas.

Me fartei disso tudo – ela grita. – Me fartei de minhas próprias mentiras. – Ela continua gritando.
– Olha, olha isso. – A maquiagem borrada pelas lágrimas faziam uma máscara da própria desgraça. Ela apontou para o espelho que olhava.
– Nem minhas lágrimas são carregadas. Meus seios são secos, não dão leite. Meu útero é irregular, não segura filhos. Me fartei disso tudo. Eu grito. Me fartei dessa vida. Eu digo.  – Ela anda pelos lados, tenta alcançar o perdão de si própria.
– Me fartei disso tudo. Eu minto. Nem minhas mentiras são iguais. Me fartei de mim própria. – Ela cai no chão, deixa que se leve as lágrimas, deixe que se lamente da vida. Ela fica lá sem voz. Já não mente como antes. Como falar disso para um cego que nunca viu cor?
– Some de mim desgraça tediosa. Nem minha alma se encarrega se ti. – Me fartei disso tudo, eu narro.

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