Não se engane com as memórias.

– Você se engana – ela disse num sussurro.
– Com o que? – Ele disse com crueldade na voz, as palavras cortantes pareciam dizer “Vá-se embora mulher”.
– Comigo. – Ela o fitou, os olhos escuros estavam submersos em escuridão, pareciam ter ficado maiores devido às lágrimas que ela não se envergonhava.
Ele riu, murmurou algo como “tola, mulher maldita” ela sorriu e se levantou, deu uma volta sobre ele, depois outra.
– Nunca me esqueço, faço-o parecer, faço-o com que acredite na minha fraca memória – ela disse dando a terceira volta. – Você tem coisas que me pertence. – Completou.
– Vai embora prostituta barata. Veio aqui abrir as pernas e depois quer respeito, fui tolo, maldição! – a gargalhada ecoou pela biblioteca.
– 11 anos, eu esperei 11 anos. – O corpo frágil, magro, pequeno de cabelos louros palha a fazia parecer uma criança. Ela tremia – Para fazer isso.
Então, sem dizer nada ela enfiou a magra mão em seu peito, o homem abriu os lábios em dor, ela sorriu. Puxou o que queria e colocou na boca. Engoliu lambendo os lábios.
– Eu peguei minhas lembranças de volta. – Ela saiu da sala e deixou para trás um homem que fitava o nada, no rosto já não havia deboche, só o vazio e a sombra de uma frágil mulher.

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