Pequeno.

Queria escrever, mas as ideias me fugiram, olhei para o vazio, ele estava oco.
Queria ter palavras, mas o tédio me consome.
No fim tenho isso e nada.

Anúncios

Maldição na sua vida.

Me envolvi num crime sem precedentes.
O que me abateu foi no escuro, me parte ao meio como um saco de carne.
Fui abatida num galpão sem janelas, o que me corrói é que não me lembro se foi noite o dia a hora certa.
Tenho ligações em várias partes, glóbulos brancos me estão em falta.
Lobo, lodo, logo veja nos meus olhos a respostas de suas dúvidas.
Estão pedrados, mortos, cegos e descoloridos.
Ainda lhe resta dúvidas?
Me envolvi num jogo sem apostas, perdi aquilo que não vendia.
Gostaria de um pedido.
Achou o que procurava no meu peito aberto e vazio?
Sou uma múmia sem princípios, sinta-se amaldiçoado.

Se porventura eu não sentisse.

Se porventura eu esquecer como nadar, entrar no mar e afogar, venha com teus braços fortes e me resgate.
Não se esqueça que eu não me esquecerei do teu feito por mim num passado mórbido.
Se por ventura tu me beijar com teus lábios belos e desejados e eles realmente me tocarem eu irei os os morder, os arrancar e os cuspir e os jogarei fora.
Se porventura eu sobreviver eu não me esquecerei de que um dia o amei e você me destruiu.
Se eu sobreviver, cuidado você, que não o irei perdoar, não irei o deixar viver. Eu, serei eu que o matarei.
Se porventura eu me lembrar do teu rosto, dos teus beijos, do teu corpo e esquecer as lembranças das sensações eu irei parar de o amar.
O que eu amo é um fantasma, mas o que eu sinto é concreto, essa dor que me dilacera e tampouco me afetam.
Se porventura eu me lembrar eu irei parar de machucar, preciso de apenas um segundo, preciso apenas de um rosto, preciso reconhecer que o que eu amo não existe que as lembranças se foram e o que ficou me dilacera.

Quanto vale um dia?

(Não sei ao certo o que seria uma história, estou realmente confusa, mas irei lhe mostrar essa. Uma história que sempre vejo, percebo. (C. Voador)

 

Existem formas de passar para o papel estórias diferente, existem formas diferentes que cada pessoa entende o que lê. O meu papel? Passar para o papel, não o fazer entender, o entender é seu, único, sua prova de saber.
Essa é uma história de tantas outras, uma história de ser, estar e transformar.
O ser é o mais difícil, o que você é? O que te faz ser? Quem é você?
O estar é o presente, é como você está, não fisicamente, não psicologicamente, um não separa o outro, os dois. Está feliz? Triste?
O ultimo, o transformar você é, você está, mas você pode mudar, como mudar?
Isso não é autoajuda, isso são perguntas nas quais não se perguntam, perguntas que deixam passar, perguntas cheias de hiatos e incógnitas.

 

– O dia está agradável. – Uma afirmativa na qual não seria respondida, assim como todas as outras, mas um habito é um habito, e hábitos são difíceis de mudar. Este era um bom habito.
A mulher sabia que a afirmativa ficaria sem comentário, e isso lhe dava uma ânsia, uma coisa que ia subindo como um vendaval, dava-lhe vontade de chegar até a menina e a sacudir, a balançar, gritar para saber qual seria a resposta. Ela já sabia, provavelmente a garota iria chorar.
Ela ia empurrando a pequena cadeira de rodas com a garota sentada, a pequena olhava para os lados e fazia sons incoerentes. O cabelo longo, cacheado e escuro estava preso em duas pequenas partes.
– Estou cansada disso. – Délia murmurou mais para si do que para a menina, que não entenderia, além do estado físico incapacitado o mental também o era.
Délia havia ido há vários médicos, tentou vários tratamentos, mas todos diziam a mesma coisa
Ela ficará assim para sempre. – O que Délia faria? Nada, estava condenada a uma vida sem graça, cuidando de uma doente incapacitada.
Ela esticou o corpo e olhou para os lados antes de atravessar a rua. Droga, não tem rampa para deficiente nesse meio fio. Ela pegou a cadeira e com dificuldade conseguiu subir até o passeio, as pessoas passavam e não diziam nada, não ajudavam, alguns olhavam rapidamente e desviavam o olhar temendo que ela pudesse pedir ajuda, outros saiam de perto.
Délia já havia se acostumado com pessoas assim, na verdade ela preferia não ter ajuda de pessoas com olhares de penas e perguntas inconvenientes.
Só tenho a droga dos 20 anos, eu deveria estar namorando agora, ou talvez estudando ou talvez numa festa. Délia sempre reclamava de tudo, sua vida não era das melhores, nem sua aparência. Ela continuou andando enquanto refletia, tinha o cabelo escuro como o da irmã, mas o seu era liso, sem vida, sem volume, apenas liso e escuro. Os olhos eram profundos e caídos, como se ela estivesse sempre triste. Os lábios pequenos e finos numa linha, com quem não diz muita coisa. O nariz grande, a pele pálida, não de uma forma bonita, a contrario, era um pálido cadavérico.
Ela continuou empurrando a menina e ás vezes dizia coisas, os médicos recomendou que ela conversasse com a menina, Delores, a menina chamava.
– Está ficando tão quente, não está? – Ela não se importou com o silencio, continuou falando. – Eu gostaria, de verdade, de sair, de viver, você é um peso morto, um encosto, um atraso de vida. Eu aqui nova, tenho que cuidar de você, uma garota inútil de 12 anos. Deus! – Ela se sentou num banco e deixou que o sol batesse em seu rosto, a garota tinha o olhar triste, estava do lado de Délia.
– Desculpa Dê, não foi minha intensão, talvez tenha sido. Talvez. – Ambas estavam no parque olhando as pessoas, algumas crianças corriam e várias pessoas passavam, uma indo trabalhar, outras voltando, outras caminhando apenas.
Mas quase todos desviavam o olhar de pena das duas. Alguns evitavam. Passou um grupo de rapazes, Délia olhou para eles esperançosa, um deles, mediano e moreno olhou para ela, quando viu sua irmã fez olhar de pena e desviou o olhar.
Délia suspirou conformada, era sem assim, afinal.
Trabalhava em casa, ganhava uma pensão do governo pelos pais mortos, uma para ajudar com a irmã deficiente, um bom dinheiro até, apenas para as duas.
A garota apontou para umas crianças correndo atrás de um balão verde e sorriu, começou a dizer coisas incoerentes novamente, barulhos que só ela entendia.
– Quero um sorvete. – Délia se levantou e foi até um homem com carrinho de sorvete, comprou dois. Ele lhe entregou o troco e os sorvetes, mas não olhou para Délia.
Alguns até eram legais, outros fingidos, mas na maioria das vezes eles se faziam de cegos.
– Aqui, para você. – Délia entregou para Delores o potinho de sorvete e a ajudou abrir, a garota começou a tomar com dificuldade o sorvete. Délia a ia ajudando enquanto tomava o seu.
Uma senhora se sentou do lado delas e sorriu.
– Que dia quente menina, um sorvete é a melhor coisa! – A senhora cheirava a flores. Délia não sabia o que responder, era a primeira pessoa em meses que conversava com ela espontaneamente.
– Aceita? – Sua voz saiu um tanto estranha. A senhora balançou a mão dramaticamente e continuou sorrindo.
– Não, obrigada filha, já tomei o meu! E que linda menina, como se chama meu bem?
– Ela não fala.
– Então me diga você o nome dela.
– Delores.
– Olha só, como é diferente, o da minha mãe era Dolores. O meu é Rita e o seu?
– Délia.
– Lindo nome Délia – Délia sorriu envergonhada e continuou tomando o sorvete, ora ajudava Delores.
– E você é irmã dela!
– Uhum
– E seus pais?
– Morreram – A senhora colocou a mão no peito.
– Oh, que pena, mas ao menos você a tem, meu marido morreu e nós não tivemos filhos, agora sou sozinha! – A senhora deu um sorriso triste, se levantou e deu um beijo em Delores, depois em Délia.
– São boas garotas, se cuidem, fiquem com Deus. – A senhora se foi assim como chegou, do nada.
Délia sorriu, algo nela se acendeu, não sabia ao certo o que era, mas ela sabia que ela era viva, estava viva e é viva. Podia respirar tranquila, não estava sozinha.
Sorriu para a vida, se levantou e deu um beijo em Delores.
– Realmente, uma linda garota. – O dia havia se tornado mais bonito. 

Amantes sedentos (+16)

Image
A excitação não está no “tocar” está no “provocar”. Provoque-me.

Me diz, meu amor, qual a necessidade de expor? 
Nossos corpos não se encontram, nossos 

lábios não se falam.
Diga-me meu amor, por que não me tocas agora? 

Meus seios amostra lhe convida a um aconchego, 
Meu cheiro suave lhe embebeda a alma, embriaguez perfeita. 
Venha cá meu amor, ser confidente dos meus pecados, 
Ser cúmplice dos meus desejos, ser meu gênio mágico,
Além dos três desejos. 
Essa caricia é tão sedenta quanto um copo de água a um homem perdido no deserto.
Meus pés junto aos seus. 
Não há necessidade de toque.

O fogo percorre minha pele só com teu olhar,
Com teu jeito largado de deitar-se
Olhando-o vejo o motivo de tal paixão florescente.
Como palha e fogo. Eu e você.

Fique onde está querido,
Quero que dancemos lado a lado sem nos encostar
Deixe que a vontade nos guie até o limite,
Deixe que o que sentimos cresça até explodir.

Seus lábios ainda estão selados?
Talvez um abraço?
Não, seria mais uma desculpa para nos tocar,
Deixe que dancemos assim de frente, sentimos a presença e o perfume,
Deixe que nos amemos de longe até o limite estourar.  

 

Penitencia de corpos.

“Me ame? Me beije?” Joguei mais uma cabeça ao chão, cabeças rolando, nessa depressão. “Me abrace? Me faça sua?” Braços rolando ao chão sem o calor que lhes fora negado por mim em um passado não tão distante. Frios e sem mãos. Ando pelos corpos despedaçados que um dia me amaram. E eu os despedacei, os rejeitei. Não é o amor não mais que um só corpo? Não são as ânsias dos beijos do que cabeças soltas rolando pela depressão até o outro corresponder, amar? “Me olhe?” Arranco os olhos com os dedos longos e secos e os engulo. Engoli os olhares de amor para que dentro de mim ficasse visível e se enchesse de paixão. Não aconteceu, minha maldição, um dia neguei, humilhei e rejeitei e agora vivo sozinha rodeada por corpos que me amaram, me amaram e eu destruí. “Me de um carinho, me passa suas mãos e me faça cosquinhas?” Tirei os dedos daquelas mãos jogadas para se perderem na vida e joguei ao chão. Caminhei por entre os corpos mortos e despedaçados que um dia me amou e me implorou por amor, aqui estou eu agora, querendo carinho, e só tenho memórias e corpos mortos. Empurrando os corpos mortos, despedaçados, decapitados, sem vida, sem amor, e este me rodeando, me penetrando me mostrando que esta aqui, ao meu lado e eu não o alcanço, sinto a fome de amar, é dolorido, sinto a ânsia de beijar amando, de ter o corpo amado, não posso amar. As cabeças parecem me sorrir com lábios tristes, com sorrisos mortos, sem olhos, eu os engoli, ou os joguei por ai. Minha maldição irá viver comigo sempre, e sempre não poderei reconstituir esses corpos, não com meu amor, que este, eu não tenho.  Tirei minha roupa, roupa feita por depressão e tristeza, emaranhada na minha alma e no meu rosto cadavérico sem emoção, amor, que lágrimas se secaram, um rosto lindo, que não será mais desejado, a beleza o consumiu, e me fiz nua para olhos que não irão ver, mãos que não acariciarão, lábios que não beijarão, braços que não abraçarão. Mergulhei no rio de sangue, sangue de amor. Não é mais o sangue que o amor em líquido, não mais que o sangue que os carinhos derramados? Mergulhei e me afoguei nas lembranças, nas memorias e no cheiro, ah o cheiro, cheiro de coração partido, estes que mergulham ao meu lado e sempre me perseguirão nas memórias passadas e no futuro proposto. Os corações me perseguindo, me rodeando, neles, neles que se encontraram o amor que virou raiz e eu a arranquei, joguei aos cães, me punindo, os perseguindo e eles fogem de mim, como se eu fosse um monstro. Não sou?! Coloco a cabeça para fora e vejo meu mundo de sangue, rodeado por corpos decapitados, despedaçados, sorrisos tristes e sem amor. Minha maldição, maldição do amor. 

História repetida.

(C. V. essa história não é a história, mas talvez seria interessante, não sei, você ler.) 

Essa é a minha história. O incrível? Não há historia, sou tão pacata quanto alguém poderia ser. Sinto-me tão vazia quanto eu poderia sentir. Ah, claro, se levar em consideração que devo ter sangue correndo em minhas veias com moléculas de sedução, não é uma metáfora, nem algo literal, atraio homens bons que gostam de mim e isso não é interessante, nem um pouco, não há necessidade de o dizer, só digo pelo fato de ter algo acontecendo momentâneo relacionado, então considere como um desabafo, e se quiser, como todos, opine, eu gosto de escutar opiniões, me fazem ver o que não vi, em outro ângulo, certo. Não quero escrever minha história, não há nada de interessante para mim, ao menos, escrever sobre. Por isso escrevo, por poder viver várias vidas, por ser várias pessoas, por sentir várias coisas, por não precisar ser eu.
Porque eu já cansei de minha própria companhia, já cansei de olhar no espelho e me ver, eu já cansei de tudo isso relacionado ao meu nome. Não será decepção se não me conhece o suficiente, talvez pode ser apenas um desagrado, talvez eu esteja falando algo que não é relacionado ao assunto, talvez essa não seja a verdadeira eu, pode ser mais uma personagem, pode ser mais um qualquer, pode ser até você.
Estou eu aqui a ponto de cometer uma loucura que acredito firmemente ser um erro, pode ser engano, pode não ser um erro, mas é uma possibilidade e possibilidades, meu caro, não são para serem descartadas. Elas existem.

Cometida eu de uma insanidade sugerida delicadamente a mim própria um dia qualquer, um tempo qualquer ao qual minha fraca memoria não permite lembrar, de acreditar nisso, eu sofro de uma leve insanidade. Não seria algo grave para levar-me a ser lesada, não que não seja, naturalmente.
Meu corpo é tão severo comigo meu em relação a certos sentimentos despertados que eu me assusto com a grande capacidade de ser severo. Não que eu deveria. Não que poderia.
Sou uma covarde eminente, quem me olha acha que sou forte, ou alguns, como dizem, acham nada. Erro deles, engano meu. Tento não entender o que se passa em minha mente, já que são mil coisas ao mesmo tempo, mas não por serem mil coisas que eu não as escuto, não as vejo, as sinto, mas não as entendo.
Minha história não tem começo certo, fim distinto, sou apenas eu e as palavras, sempre foi.