A volta do mito

 

Eis que o grande BATATA volta, porém ele(que no caso sou eu) trás apenas uma simples musica. Aproveitem

Memórias de uma velha fraca, como eu, do coração.

O meu corpo nu não era o suficiente para ele, o homem queria também o meu amor.
Aquilo que não posso dar, que me foi tomado entre os becos escuros da vida. – Ela tirou o cigarro dos lábios, o que tem com cigarros? – Na época que eu cantava em bar e meu amante era a bebida.
Morri meu querido, em pensar e achar que meu amor próprio me valia.
Mas o amor daquele homem nada mais pra mim que foi passagem de trem. Emocionante nos primeiros dias, mas depois se torna cansativo, o deixei ir e levar com ele minha bagagem velha. – A risada ecoou pelas paredes velhas do quarto. – O meu corpo nu não foi o suficiente, o homem quis me dar uma aliança. Eu aceitei. Na verdade ganhei segurança, amor, meu bem, há muito tempo rejeitei. – Quem dirá que essa velha um dia já rejeitou o que as mulheres de hoje sonham para a vida? – Me passe aquele álbum. – O peguei – eu já cantei até no Plazza meu bem, os homens me desejavam, hoje nada sou que um corpo velho. – Ela me sorriu maliciosamente enquanto estávamos escutando a música inebriante dançar por nossos corações, e quem sabe, trazer recordações para a mulher idosa na minha frente e as paredes velhas ao nosso redor. – Eu o amei. – ela disse depois de muito tempo me surpreendendo – ele se foi, como todos outros, fiquei sozinha num beco escuro enlameçado da vida. Ao menos – ela completou depois de tragar o cigarro – eu fique com a riqueza que ele tanto amou, mais que eu, mais que si. – Sabe por que ele se foi? – Meneei a cabeça – eu não podia lhe dar filhos, ele os queria mais que seu amor por mim. Filhos.  – ela completou com o mesmo sorriso nos lábios, sem malícia, apenas uma memória distante, dolorida. A música continuou e a voz tão linda estava ali na minha frente, chorando as lágrimas tão reprimidas pelo tempo. O pior de tudo foi que ela também o amou.

Na noite as ideias fervilham sentimentos vazios.

Odeio quando vou tomar banho e ter que ficar comigo mesma. Ter que escutar minha mente perturbada troçando de mim mesma.
Ás vezes converso sozinha, é pior, me sinto mais doida que antes.
Recorro aos olhos tão mansos de um canino me olhando de longe, mas isso não me faz sentir melhor, a lista dos não-gosto é grande. Mais comprida que minha língua de escritora ferina.
Dizem para não me matar, mas é apenas o que nós fazemos há cada mês que se passa, vivendo.

1+1=1/2 mulher.

Você sabe a verdade, se esconde dela. Finge que não entende, mas quando te contam chora e diz que não sabia.
Não se faça de inútil, desentendido, mais um ponto negativo que me enoja.
Tenho duas escolhas, mas como sempre, opto pela inexistente.
O meu jeito grosso não vai te fazer fugir, apenas meu sentimento, desculpe querido, mas já me tornei meio mulher.

Escrever do fim para o começo não é intencional, é chato.

Confuso, confesso…
É como contar os teus segredos pro vento, ele se encarrega de os levar, todo mundo escutada, todo mundo conhece, mas ninguém entende. O bom é isso, ter um diário aberto cuja letra só você enxerga, não basta sentir os partilhados com os dedos, tem que sentir, entender. Uma mentira omitida, verdade fingida, uma ilusão, fantasia.

Não peço desculpas pelo que não fiz.

A situação está tão critica que eu ando pedindo beijo só pra te calar. Você não percebe suas palavras se desvairado no ar.
Um sufoco in-significante é o que sinto, fujo das palavras tão temidas.
Não sei como te dizer não, não acredito em signos, o meu está errado, sou tão teimosa quando um leão, ou seria capricórnio?
Mil desculpas eu te digo, mil palavras te omito, não quero ter que dar a palavra final, meu coração não é de mármore.
Sinto ter que me matar, sinto ter que te matar, mas só há uma opção.
Entre você ou eu, opto eu.
Duplo significado, está em tantas partes, como é achar o errado quando não existe o certo?
Máquinas de igualdade faz um cidadão?
Pessoas optando o diferente, na justiça quer igual.
Não entendo humanos, ironia eu ser um.
Todos dizem loucos, mas todos são iguais, no fundo do fundo que querem ser estranhos para a solidão não chegar arrasando esses pobres corações.
Por acaso descobri minha dúvida, ela estava nas rimas não intencionais.
Odeio rimas não intencionais, faz me sentir viva no meu próprio enterro, como no sonho de anteontem, outro ser estranho.
Estória para depois.
Sou tão normal quanto você, apenas como comida diferente, você é o que come.
Eestou cansada de fingir o que não sinto, mas um beijo pra te calar, juro que… Na verdade não faço nada.
Eu sei que hoje te magoei, só não consigo pedir desculpas pelo que não sinto.
Consciência leve, pesada aqui só minhas palavras.

Um pedaço de vida em cromossomos.

Deitada em minha cama eu me pego tentando sonhar, mas as imagens fugiram de mim, os sons tampouco me sobrevoam.
Tenho te tentar.
Quem que quando criança não se lembra da primeira memória?
Eu. Não me lembro mais nem meu nome.
Nome é quem define gente, além do emaranhado de letras, é a pureza.
Já não se encontram boas personalidades, cheios de casulos vazios, as boas borboletas já não duram mais.
Construí uma torre de vento, tempestades não alcançam, destruir aquilo que não foi feito não adianta.
Chora menina pelo tempo que te resta, eu morro a cada segundo, mas não é a verdade que me afeta, sorrisos.
Tenho comigo que minha cabeça é um dadaísmo.
Chega de cacofonia, me explica, o que é isso?
O mesmo lugar de antes, minha cama. Jaz aqui o meu sonho, dormi.