Árvore que não soube falar adeus.

Lá em casa tinha uma árvore, tão grande que eu sempre achei que ela tinha vida, ás vezes me imaginava falando com ela e ela me contando histórias já vividas. 
Um dia eu cresci, queria por piscina lá em casa, derrubei a árvore e nunca mais a vi. 
Lá em casa tinha uma árvore tão grande, mas não resistiu ao meu material, morreu por um simples motivo carnal. 
Meus filhos nunca falaram com árvores, e eu nunca mais falei.

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Meu quintal fica logo ali.

 

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Princesas estão nos castelos errados.

Me peguei amando a mulher errada. Minha mãe sempre me disse que eu sou azarento no amor e que não darei bons netos a ela. E eu creio, e vocês também deviam crer que praga de mãe pega, e como pega.
Certa vez eu arrumei uma namorada, não achei que ela iria ser a minha namorada. Não bonita do jeito que ela era, o cabelo curto, cheio e loiro, a pele dourada e suave, tinha uns lábios recheados lindos. Chamava Paola, ah, eu andava com ela desfilando por todas partes, meus amigos sorriam pra mim e dava piscadas por onde eu passava com ela. Estava perdidamente apaixonado, era quase que amor, e um dia depois do sexo eu me deitei com ela, naquele momento de conversa jogada fora eu virei pra ela e espontaneamente eu disse
– Te amo. – Ela se levantou, vestiu a roupa e sorriu.
– Poxa, que fofo. O sexo é bom, mas não quero nada sério. Na verdade, pensando bem, nem é tão bom assim. Tenho que ir embora, amanhã acordo cedo. – Ela saiu rindo na maior altura e fechou a porta murmurando algo como
– Veja só no que me meti, homem apaixonada. – E ria-se toda.
Depois desse dia eu brochei, toda vez que ia para os finales com alguma mulher eu não conseguia, dava uma desculpa e ia embora. Isso durou umas duas semanas. E eu sempre pensava na Paola que nunca mais voltou. Nela e no “o sexo nem é tão bom.” Foi até que encontrei uma outra mulher, alta, sofisticada, trabalhava muito, bem sucedida e sexy, essa era a Fernanda, poxa, que mulher. Séria na rua e um combustão em casa. Foi assim, liguei pra minha mãe e disse que havia encontrado a mulher certo. Minha mãe gritou no telefone
-Ave Maria, quando é que esse menino vai aprender que mulher certa não arreganha as pernas na primeira noite? Ave Maria! – E minha mãe desligou o telefone gritando. Eu não liguei para o que ela disse, até no dia em que bem, peguei a séria Fernanda já não tão séria com o chefe, e a maldita estava na minha casa, minha cama. O cara foi embora pedindo desculpas e ela veio atrás de mim toda descabelada
-Eu precisava dessa promoção seu filho da puta, agora o que vai ser? Some daqui! – A mulher ainda tinha coragem de me xingar e tentar me expulsar da minha própria casa. Pois fui lá e fui homem!
Sai de casa e depois de três dias ela me ligou e disse que já podia voltar. A bruxa nunca mais olhou na minha cara e pela primeira vez eu vi que minha mãe tinha razão.
Bem, essas são apenas duas de muitas, houve a Letícia morena gostosa, houve a Jaqueline baixinha indiscreta, houve a Alana, Bárbara, Cíntia, Cléo, Pedrina, Noelma, bem, e todas essas com um fim drástico. Por fim resolvi, disse que já não queria mais compromisso sério, todas mulheres que eu arrumava iam embora e me deixavam na pior, eu já tinha perdido a conta de quantas vezes tive que trocar de fechadura com mulher louca tentando me matar. Principalmente aquela vez que uma delas, se me lembro bem foi a Cíntia, disse que pularia da janela se eu não desse o Jorge pra ela, Jorge o peixe dourado, quase enfartei, meu médico disse para me abster por mulheres por uns tempos, claro que eu como um homem saudável não aguentei.
Minha mãe me jogou uma praga danada, dessas que não sai nem com reza forte, eu implorei pra ela reverter, ela me mandou parar de ser frouxo e ir embora.
Fiquei uns três anos nesse vai e vem de procurar mulher bonita e gostosa, até que um dia eu fui num bar, desses bares de jovens, sofisticados que homens quarentões como eu não frequentava mais, só que o Paulinho, amigo do escritório insistiu tanto que cedi, e lá, no meio daquela garotada, meninas seminuas e insinuadas, homens perfumados e bem vestidos meio maricas estava ela, sentada entre tantas mulheres novas perdida no meio delas. Bonita? Depende do teu ponto de vista, a principio não achei, meio gordinha e baixinha de mais para meu gosto, sempre preferi altas exuberantes e ela era morena, eu sempre gostei de loiras. Ela me olhou e não me viu, estava perdida no meio de qualquer coisa, fui lá e ofereci uma bebida, perguntei se ela queria sair com alguém mais velho. Sorri, afinal tínhamos quase a mesma idade. E ela ainda me perguntou se eu era pai de alguém. Desde o começo descobri que era dasbocada, e no meio de tantos castelos, eu, o Mario estava procurando no castelo errado a princesa errada, no fim, minha mãe teve dois netos e finge que são feios, que ela deu genes feios aos meus, mais ama eles, e percebi que esse negocio de praga é só pra quem não vai lá e faz! E toda vez que eu escutava o
– Desculpa Mário, mas a princesa está em outro castelo. – Eu ia lá e mudava de castelo, e minha princesa que não é tão bonita assim (não conte a ela, pra mim ela é linda) está do meu lado ajudando a pegar cogumelos.