Personagens de uma personalidade. (+18)

– Prova do teu sabor, olha que delícia, Melinda, não é? – Ele riu e a beijou selvagem, com força. Um beijo sem pedido ou carinho, tão diferente do dado mais cedo. Quando ele a parou de beijar ele sorriu.
– Gostou?
– Por que está fazendo isso comigo?
– Diga, está gostando? Está? – Ella estava gostando, estava excitada, a dor e o prazer juntos, o medo com uma pitada de adrenalina. Aquilo era mais que havia sonhado.
– Estou. – Heitor riu alto e puxou o cabelo as mordidas foram trazendo rastro por todo o corpo. Ele desceu o rosto até a barriga lisa e passou a língua na virilha rosada, desceu até o sexo feminino, passou a língua e começou a morder. Ella gemia alto, as pernas se reviravam, Heitor subiu pelas pernas, massageava com as mãos.
– Espere aqui. – Heitor se levantou e saiu nu do cômodo. Passaram minutos que pareciam uma eternidade para Ella, então ele reapareceu com uma vela acesa na mão.
Subiu na cama e jogou a cera quente no mamilo sensível. Ella gritou. Heitor deu um tapa no rosto pálido.
– Cala a boca, quer que os vizinhos escute? – Ela começou a chorar, a vela estava a queimando, ele ria e jogava em mais lugares.
– Me solta, é minha vez. – Mas então Heitor não  a escutava, ele estava sorrindo, a estava torturando, jogando cera quente no corpo.
– Por favor, me solta. Me deixa ir embora. – Heitor deu um tapa forte no rosto. Começou a bater na face pálida. Ella gritava.
– Cala a boca os vizinhos vão escutar! – Heitor foi ficando estressado e com medo. Pegou uma mordaça e colocou na boca ferida e ensanguentada.
– Sua puta! – Ele ria enquanto a espancava. Ria e ria. Ella já não aguentava mais ficar acordada. O corpo todo doía. Ela não sentia nada e sentia tudo. A vergonha, o medo. Aquilo que ela pensava não ter. Os pensamentos sujos, ela estava gostando daquilo, daquele medo, mas não das dores, das fortes pancadas, dos socos, mordidas e tapas.
– Não desmaie sua vaca. – Heitor começou a olhar para os lados, ele a soltou os braços e guardou a vela. Ella com o resto de forças que lhe sobrava se levantou e o tentou golpear por traz, mas Heitor foi mais rápido e a socou forte.
– Sua estúpida. Tem que apanhar mesmo, não é cadela? – O corpo sem forças caiu no chão, a boca ferida começou a expelir sangue.
Heitor a pegou no colo, ela já não via muita coisa, quase nada. A escuridão dentro de si já havia a consumido toda. Era tudo escuro.
Ele juntou a bolsa, as roupas, sapato, abriu a porta da casa e a levou até o carro. Abriu-o e a colocou lá.
– Adeus vaca estúpida, ah, eu encontrei teus brinquedinhos na bolsa. Então tu já é uma puta experiente, veio com esse papo de “inocência”, vaca maldita. – Heitor fechou a porta e entrou dentro de casa. Ella estava tossindo, queria ir embora, havia sangue em toda parte.
Foi para o volante e começou a girar as chaves quando viu Heitor entrar no carro e ir embora.
O que Ella não esperava era encontrar como ela, pior que ela. Ella foi embora, não iria a um hospital, nunca mais veria esse homem. Não se importava, não queria se importar. O seu vazio voltou a preencher, ela sorriu com os lábios rasgados.
Os vidros do teu coração havia virado pó, já não havia coração, havia só uma mulher amargurada com uma alma perdida, alguém cujos medos a aflorava. A única prova que tinha que havia passado o dia com esse homem era as marcas no corpo e as fotos na pequena câmera. Coisas que se apagariam com o tempo, físico, mas que permaneceriam no pensamento.
A cabeça de Ella começou a doer forte, ela foi parar o carro, mas antes que visse um caminhão veio pra cima dela, e a ultima coisa que ela se lembra é de um homem chamado Heitor cujo mudou a sua vida, antes que Ella se sucumbisse ao fim ela descobrira que havia sim, um coração, havia sim, uma alma, e além de tudo, havia dor e remorso.
Então – depois de longos minutos – tudo ficou escuro, Ella se fora para sempre. 

 

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Você só percebe que é tarde demais, quando o tarde já passou.

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