BioCaligrafia.

Pintei meu corpo de negro e me mexi numa folha branca, essa é minha biografia! 

Anúncios

Figurante de sonhos.

Image
Inercia da vida.

 

Hoje eu acordei figurante do meu próprio sonho. Descobri que a muito tempo eu deixei de ser protagonista. Eu já me contento com suco amanhecido e café frio. Mesmo café não sendo meu preferido. 
Hoje eu não sorrio mais como sorria antes, mas isso não é de todo mal, assim não acumulo rugas e não preciso comprar cosméticos para estas. 
Eu amo aos poucos, hoje menos, amanhã mais. Na verdade é apenas uma enganação, não amo nem a mim mesma. 
Me tornei uma mulher rancorosa com o passar dos tempos, e novamente não me importo, assim eu sofro menos, assim não amo ninguém, assim eu fico tranquila com minhas decepções. 
Seria mentira eu dizer que não sinto saudades, aquela época era de fantasias fora da realidade, eu acreditava em tanta coisa boba como “feliz para sempre”, sendo que o para sempre pode ser amanhã, ou pode nem existir. 
Eu apenas durmo com o sonho de não mais acordar, de não mais ter que ver o sol quente atrapalhando minha visão, a chuva úmida acabando com meu cabelo e ossos, o tempo seco ressecando meus lábios e esse cheiro enjoativo das flores do vizinho. 
Hoje eu acordei figurante e sonho (meu único sonho) é de não precisar acordar amanhã. Talvez seja isso minha vida, apenas ilusão, me perdi a muito tempo, tempo demais para recuperar fragmentos. 

Óculos.

Image
Quando eu pensava que estava cega eu enxerguei através de uma pequena janela.

 

Meus olhos são janelas,
Por eles vejo a vida.
Meus olhos sentinelas,
ficam atentos a cada movimento.
Meus olhos são tão belos,
Do feio ao bonito.
Meus olhos são embaçados,
Meus olhos de vidro. 

Dança. (+18)

Os lábios carnudos se dobravam em um sorriso travesso, ela arquejava e me convidava com aquele olhar que ela sempre fazia quando queria algo, quando me queria. Os seios expostos ao sol me clamavam para serem avidamente sugados. Eu estava excitado, escutava o dedilhado do violão no radinho portátil. Ela estava com metade do corpo coberto pelas águas do lago, o sol iluminava a pele morena jambo, os cabelos pesados e cacheados estavam grudados nas costas nuas. Não há necessidade de palavras quando os corpos se chamam, um e o outro, um para o outro, um com o outro. Um.
Deitado na margem do rio deixando que o sol me esquentasse escuta a música suave, Can’t Help Falling in Love, o corpo da morena balançava com o ritmo calmo. Não queria ir agora, não queria entrar na água agora, queria que ela clamasse, pedisse por mim, queria que ela viesse me beijasse. Ela mordeu um canto inferior dos lábios com a expressão de ansiedade, entrou na água como uma sereia, levantou-se e jogou água para os lados, fazendo que brilhassem aos poucos os pingos de água. Uma das mãos acariciou o seio esquerdo, o seio túmido e doce, ah, como eu os queria, como queria beijar aquela barriga caminho para o paraíso, me perder nas curvas do corpo exuberante, puxar o cabelo molhado, colar o corpo morno ao meu, escutar os doces ronronar, escuta-la me chamar e se contorcer diante de mim.
Não consigo mais respirar calmamente, me levanto, tiro o que me resta de roupa e entro na água, vou para os braços dela, sim, eu me entreguei, eu não fui capaz de resistir.
A risada ecoou apenas para nós, para o lago cristalino, para as pedras, rochas, árvores, natureza, e o mais belo de todo, ela, estava fugindo de mim.
– Onde… ? – Ela me calou com um beijo quente, mordeu meu lábio inferior e o puxou delicadamente, não respiro.
As mãos molhadas passavam pelo meu corpo o percorrendo com fome, com ânsia.
O cabelo molhado se enrosca em mim, não incomoda, me excita dessa forma. Como uma sereia exótica de grandes olhos escuros, de cílios espessos e longos, de lábios carnudos, de seios fartos, de corpo exuberante.
Ela me pegou pela mão e foi andando na minha frente, rebolando, fazendo que o quadril largo e a bunda farta se mexessem me convidando a acariciar.
– Não grite. – A peguei no colo subitamente e a levei até a margem, onde tinha uma manta no chão. A coloquei deitada entre minhas pernas, passei minhas mãos pelo corpo quente, e o beijei, o percorri com minha língua com minha boca, com meu fogo.
– O que somos? – Eu sussurrei pra ela, com medo da resposta, com medo do fim.
Ela puxou o meu cabelo com força, não doeu, me acendeu mais e me beijou em direção ao pescoço, descendo.
A música mudou, agora já tocava Stripped, e a nossa dança estava apenas começando. 

Image
O que é a nudez do corpo perto da nudez da alma?