Incoerente.

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Sou eu meu próprio ninho?

 

Há quem diz que estou perdida, mas na verdade é fome que sinto.
Ninguém conhece seu próprio caminho, por isso usamos de nós mesmo, usamos tudo e todo o que queremos, podemos.
Há quem diz que sou fraca, sou mesmo, eu confesso, mas não mexa com uma das minhas crias, que até gansos quando se estressam sabem dar boa mordida.
Dizem que ser mãe é difícil, eu digo que não, a primeira vez que se ama de verdade é quando se descobre que a barriga vai crescendo, que aquilo está se mexendo, quando se escuta os gritos, berros e lamentos de madrugada.
São eles minha alegria, por mais que eu não saiba disso, são eles minha alegria. 

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Folha vazia.

Pode ser que eu seja folha vazia. Quando ando cada um se faz de caneta e deixa suas marcas, há aqueles que são lápis, e com o tempo que é borracha os apaga, e segue eu folha meio preenchida pronta pra ser lida, ou talvez, quem sabe um dia completamente escrita. 

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Faça da sua letra minha poesia.

 

Abandono ou simplesmente… ?

Eu ando tanto tempo sozinha e esses dias eu vi um cão, ele estava deitado na rua, abandonado e sozinho, eu o olhei, ele me olhou, eu sorri pra ele e falei “Olá”, ele se levantou, veio até mim, abanou o rabo e começou a me seguir.
Eu fiquei triste, na minha morada não havia espaço pra ele, queria eu poder o pegar no colo e dizer que estava tudo bem, que agora ele era meu e eu era dele.
Passou dias, e hoje, sentada aqui sozinha novamente eu descobri, sou eu essa mulher, um cão abandonado.

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O coração dói.

Descuidando eu te amei.

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– Por quê? – Eu te perguntaria, mas você ficaria calado, calado como é, me abraçaria e juntos iriamos dormir, eu pelo menos tentaria, sabemos, ambos, que meu coração não aguenta o vazio.

 

Se por um descuido qualquer
eu te amasse mais um pouco
seria até burrice minha
oferecer-te meu corpo.

Mas eu e tu sabemos bem,
sou mulher fraca de sentimentos,
quando amo alguém
eu me entrego de todo.

Queria te dizer antes que eu parta,
sim, tomei minha decisão ontem entre o café
você é aquele que mais amo,
mas depois do que houve
descobri que esse encanto se findou,
se findou, se findou,

Amanhã acordo mulher livre,
Meu corpo pode até ser,
mas eu, apenas eu,
saberei por todo sempre
que meu coração apodrecido
é todo seu. 

Um pedido, um clamo por socorro.

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Em coração de mulher abandonada, habita adagas.

 

Estou tão triste, tão triste.
Eu grito por socorro,
ninguém me ajuda.

É essa a dificuldade do poeta,
 todos acham que a alegria nele habita,
que sentimentos de papel são sentimentos vazios.

Eu te digo, pois agora,
 é tudo mentira.
Essa mentira que em mim se aloja
 trás águas a esses olhos vazios.

Eu clamo por ajuda,
mas nem as paredes me escuta
cada grito é uma lástima
jogadas para o tempo perdido.

Estou apaixonada,
confesso, é esse meu motivo
mas minha tristeza não é de agora
ela vem desde que eu era só uma mocinha.

Ajuda-me homem belo,
que vejo beleza nas palavras
meus olhos são cegos
para toda essa beleza de fora.

Estou tão sozinha, tão sozinha
bebida já não me ajuda
ela apenas reforça minha memória
me faz ver em toda parte
aquele sorriso perdido
sorriso que já não me namora.

Eu peço, clamo, imploro,
mais uma vez apenas,
ah, mentiras e mais mentiras,
clamarei todos os dias
que um dia você volte.

Esse é o defeito das mulheres,
todos pensam que é pelo período do mês
mas eu bem sei que essa minha falsa alegria
é tristeza, é amor não correspondido,
não é embriaguez.

Ajuda-me meu caro leitor,
você que vai ler essas palavras
se lembre de que em cada verso
existe uma rima com dor.

Pense bem em minhas palavras,
meus dias estão tão vazios
meu coração está tão ocupado
em lembrar a todo instante
que o que eu vejo,
o que eu sinto,
é tudo, tudo um grande abandono.