Me dê mais um cigarro.

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Não é como se cada cigarro fosse uma sentença de morte, já me sentenciei há anos quando deixei de te amar, ou não o permiti.

-Quem eu sou? Quem eu sou? Quem eu sou? – Me pergunto, esse já é o sétimo cigarro hoje. Qual meu problema com cigarros? Tenho que andar com balas de hortelã o dia todo na boca, já me confundiu esse sabor de cigarro e hortelã, esse cheiro já se impregnou em mim.
– Quem eu sou? Quem eu sou? Quem eu sou? – Coloco a bituca no cinzeiro, me levanto, aliso a saia do vestido, não há tempo mais para perguntar. Saio andando, tenho que buscar mais cigarro, receio que esse não foi o último de hoje, sou covarde de mais para pensar em qualquer coisa.
Olho para minha cama vazia, sorrio com sarcasmo.
– Viva o amor! – Fecho a porta do apartamento, assim como fechei da minha vida há tempos, me agarro ao cachecol o tempo está frio, frio, frio, o cigarro não esquenta corações.

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Dúvida, ajuda?

O som de fundo está tão alto que me incomoda. A voz dele se mistura a tantas outras além do som. Apenas mais um. Estou vazia, não sinto nada, nem uma mágoa se quer. Mesmo una mulher normal deveria sentir ciúmes, eu não os sinto. O lugar está cheia de pessoas vazias, não como eu, mas pessoas vazias de alegria, buscando algo bom no lugar errado.
Ele ri pra mim e diz coisas que não entendo, mas minha única vontade é desligar o telefone. Ele até pergunta se estou bem, odeio mentir, digo que não, que não quero falar com ele com todo aquele barulho. Ele fala outra coisa, continuo não entendendo, acho que estou triste, não sei. No fim eu falo que vou desligar, ele diz que irá me ligar cedo, digo que tanto faz. Ele afirma que vai me ligar e diz o quanto me ama, mesmo estando naquela festa, naquele lugar, cheio de gente. Eu deveria me importa? Gosto dele?
Ele me manda um beijo, não é como das outras vezes que fico feliz, eu nada digo, e depois digo apenas que não escutei.
Não quero mais falar com ele, digo que o amo, mesmo sendo assim, estando assim eu acho que sim, ele diz que me ama mais, muito mais, apenas respondo “Certo.”, não sei o que dizer, eu por fim desligo, tomada pelo silêncio, pela solidão, só consigo pensar nele, mesmo não querendo. E apesar de tudo não sinto se ciúmes. O que sinto? Me ajuda, gosto dele? O que sinto? Nada, senão que mais o vazio? Necessidade de amar?
O escuro me toma, adormeço, cheia de dúvidas. Sei que vou esperar ele me ligar, sempre espero, sempre…

Cercada de cores chamadas de sentimentos, sou daltônico para cada uma delas.