Suicídio.

Suicídio

 

 

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Você não está sozinho, nunca está. Por mais que não veja, por mais que não sinta, está aí, do teu lado, o teu bem, o teu mal.

Alta, morena, pele achocolatada. Os passos estavam ecoando pelo corredor vazio, passos calmos e seguros. Os saltos vermelhos e altos estavam no delicado pé da morena exuberante. Ela parou, olhou no espelho e sorriu. Admirou-se com o que viu. Os passos continuaram, ela parou em uma sala e entrou
Demorei?  – o homem estava deitado na cama, seminu e sorrindo.
Não. Eu dormi!
Ótimo!-
Ela tirou a roupa e se deitou do lado dele, então fechou os olhos e o homem se levantou.
Adorei o corpo!Ele passou a mão pelo corpo másculo e atlético.
Claro que adorou. Espero que faça bom aproveito gatão!Então ele colocou a roupa jogada no chão.
Sabe que odeio quando você deixa roupas jogadas no chão! Ele chegou perto dela e a beijou.
Tenho um gosto excelente!Ela riu e se cobriu. Ele saiu do quarto e fechou a porta, com os mesmos passos confiantes. Foi andando pelos corredores. Adora fazer isso, trocar de corpo, sabia que o seu estava em segurança, o receptor era confiável, ela estava com o dele e ele com o dela, estavam juntos há anos. Séculos.
Ele, o corpo, chegou à rua e respirou, depois saiu andando, sabia o seu objetivo. Colecionador de corpos.
Teu sorriso era frio como uma nevasca no meio daquele sol, uma nevasca que não se importava com a luz, a sua frieza era imune aquele calor!
Ele saiu caminhando e foi olhando as pessoas, pouco se importava com elas ou com suas vidinhas pacatas! Achando que eram os melhores, com os piores problemas! Nunca conheceram problemas de verdade!
Ele pegou o celular e discou um número
Este dia irá selar o teu destino. Você que acabou desejar a morte? uma voz feminina e aflita atendeu, a mulher gargalhou nervosamente.
Pare de brincar comigo Gustavo. –Ele sorriu para o celular como se contasse um segredo íntimo.
 – Não é o Gustavo minha flor, sou um colecionador de prêmios, suicídios. Abre a porta querida. – Ela desligou apressada sem saber o que responder. Encostou-se à parede e respirou fundo.
Abra meu bem, você desejou a morte! Você desprezou o teu corpo, você desprezou a tua alma!ela trancou a porta e ficou encostada em um canto qualquer com uma faca na mão. A porta se abriu, como que em convite.
Eu cheguei, venha até mimela olhou para o homem bonito na sua frente e não entendeu, ele era tão lindo, tão convidativo, tão suave. O sorriso tão fresco como… Como…
Uma nevasca?ela começou a tremer, ela havia pensado nisso e não falado.
-Quem é você?
Bah, tão chata! – Então o belo homem foi perdendo a cor, de seus braços nasceram escamas, de seus lábios pingavam um líquido quente e negro, viscoso que fumegava e derretia o que tocava. Os seus olhos eram de um branco tão intenso que parecia refletir cor. A pele vermelha e alaranjada brilhava e refletia o frio que se encontrava, como se entrasse em contradição com aquele calor dos lábios, do líquido viscoso e negro. Ela se levantou com a faca na mão.
-Eu não ia me matar de fato, eu juro, juro que não.As palavras mentirosas, ele via que no banheiro estava cheio de frascos abertos, remédios prontos para a morte, viu que havia água na banheira, a faca em sua mão, ele viu além do que os seus olhos podiam ver, ele via por ela, ele a lia
Não?a voz era tão suave, como se não fosse ele que estivesse falando, como se fosse outra pessoa, a voz suave no corpo horrendo, com os cabelos de vermes, que entrava e saia, os cabelos brancos que se mexia, era nojento. Havia por toda parte larva, caia dele e andava até ela. A garota começou a pular, ela gritava, as larvas estavam subindo nela, estavam entrando pelas suas cavidades. O homem chegou até perto dela e foi passando o braço pelo corpo da mulher, o corpo coberto de podridão, as larvas comia cada abertura podre.
Você está podre minha flor, toda podre, a sua alma se foi, agora só o que me restou foi o corpo. Ele passou os lábios com líquido preto e fumegante, o líquido ia penetrando, ia queimando, e ela gritava. Então ele cravou os dentes e sugou do pus de sua pele.
Ah, como você está podre!ela gritava e esperneava, ninguém ouvia, ninguém percebia. Era assim que acontecia apenas ela e seu condenador. Por fim o seu corpo foi tomado de larvas e líquido viscoso e negro. As escamas penetraram cada parte de seus olhos e eles vazaram, ela já não via nada, já não gritava, nem se remexia então as lavas voltaram para o homem, e a mulher caiu desfalecida no chão.
 Ele voltou a ser o homem sensual que era antes, arrumou o cabelo e saiu pela porta a fechando cuidadosamente! A mulher estava na banheira com os pulsos cortados e vários frascos de remédio no chão, quando os investigadores chegaram viram o terror em seus olhos, o medo, o pavor, e o estranho é que havia larvas no lugar, perto do cadáver que ainda estava quente.
O homem voltou até o corredor e esticou o corpo.
Como foi?ele sorriu para a mulher seminua na cama e a beijou no rosto passando o sabor da recém-refeição.
Saboroso.Ele se deitou ao lado dela e fechou os olhos, então a mulher levantou e esticou o corpo.
Minha vez. – Os passos que ecoavam pelo corredor eram sensuais e confiantes, fazendo o salto vermelho ecoar pelas paredes. Estava em busca de uma nova alma perdida, um novo suicídio…

 

-Ester Sousa.

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6 pensamentos sobre “Suicídio.

  1. ok. Não sei o que dizer. Ainda estou em choque com as cenas em minha mente. Houve um tempo em que eu devorava ficção. Faz tempo. Hoje estou mais calma (risos).
    Gostei, mas confesso que em dado momento senti um pouco de nojo. Sou tão visual. rs

    bacio

    • Haha, eu adorei escrever essa peça, quando eu escrevi os personagens estavam tão vibrantes e fortes dentro de mim. Os dois, o homem e a mulher tão lindos por fora. Eles são aquilo que as pessoas vêem, elas acham bonito o que há por fora, acham que os problemas são maiores que as soluções, mas por dentro, o cru, a verdade é assim. nojento, asqueroso, repulsivo!
      Essa parte em questão, quando ele está “matando” ela, foi boa, eu imaginei de uma forma realmente nojenta, que bom que consegui passar isso!
      E eu também sou visual, adoro imaginar coisas, principalmente em imagens, que muitas vezes são minha fonte de inspiração para textos.
      Abraços (Acabei falando de mais, novamente. rsrs)

      • Carissima, é sempre bom conversar com quem escreve – saber o que pretendia. É como completar a viagem. Estou gostando muito desse nosso diálogo. Pode falar o quanto quiser, será um prazer “escutá-la”… bacio

        Ps. Tens algum conto que gostarias de publicar. Eu tenho uma revista chamada Plural. Se quiser, aventure-se. Meu email é lunnaguedes@globo.com

        bacio

        • Estou tendo um mini ataque cardíaco, caso eu morra espere polícias na sua porta! Rs. Claro, eu me interesso e muito. Estou te mandando um email, falemos por lá!
          Abraços.

  2. Olha, espero que não me leve à mal. Gostei do que escreveu, mas há problemas com a pontuação e com o uso de pronomes que me deixaram confusa. Não sei se entendi exatamente tudo o que aconteceu. Mas a ideia em si é muito provocante, no sentido mental da coisa.

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