Superar.

 

 

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Está em suas mãos a decisão do bem ou do mal, as ferramentas estão pra serem uadas, depende de tuas escolhas.
Quando se ama não se pensa em si, não em si.

“Encarar o papel em branco é algo que dá medo. Ele grita e troça da sua cara sem piedade, é quase uma vergonha ter que ficar o olhando enquanto ele ri pra ti com deboche.
Minha cabeça dói, meu estomago revira, estou aqui há horas tentando te escrever, nesse papel mágico ou pelo menos é o que dizem, pra mim é apenas uma forma de ver a dor. Eu prometi a mim mesmo que não escreveria, nunca mais, não depois do que houve entre nós, não depois do que eu vi, do que você viu. Estou cansado de tentar esquecer essas desavenças, essas intrigas que eu causo quando passo na rua. Odeio andar na rua e parecer que sou um estranho, quando você resolveu morar numa cidade pequena eu hesitei, disse que não, cidade pequena é apenas intrigas e burburinhos. Ficamos aqui tanto tempo, eu escrevendo e você cozinhando, veio a primeira criança, tão bonita, tão você, ela corria pela casa gritando enquanto teus assados ficavam no forno causando esse aroma que tanto me faz falta.
Acredita que esses dias pra trás ela tentou fazer um bolo? Ficou uma delícia, ela está cada vez mais parecida contigo, até no sorriso… Eu vim aqui nesse papel branco já não tão branco dizer que sinto saudades, é, odeio admitir isso, mas é a vida, um dia em pé e os outros sete deitado e dormindo. Parei de escrever tem tanto tempo que nem sei mais conjugar um verbo. Mentira, eu sei sim, mas é que eu não queria, eu preferia ser analfabeto a ficar sem ti, mas nem todos nós podemos ter o que queiramos. Bom querida, espero que aí onde você está com teu novo amor seja melhor que aqui comigo e com nossa pequena, ela pergunta de ti ás vezes, eu não sei o que responder, ficamos horas deitados na cama e sentindo o teu cheiro pelo quarto.
Não queria ter que dizer isso, mas ás vezes é como se eu fosse explodir em lágrimas, beber já não me basta, não quero uma filha negligenciada, sou pai, ou pelo menos tento.
Saiba que quando quiser voltar estaremos te esperando, por mais que saibamos ser impossível, por mais que saibamos que isso é algo difícil, quando você foi ela era apenas uma criança e hoje já é uma moça. E eu? Um velho desolado que fica o dia todo lendo e escutando rádio. Essa cidade pequena já faz parte de nós, assim como um dia você fez parte de mim, parte dela.
Não quero mais falar mais contigo, não quero que saiba das minhas fraquezas, quero apenas que ao menos um dia lembre que pariu um ser perfeito, ela é linda.
Espero que seja feliz, já que destruiu duas vidas. Espero que não atrapalhe a vida dela como atrapalhou a minha. Adeus.”

 

Paulo olhou pra carta durante várias horas, ele chorou sozinho no escuro até que sua filha veio perguntando se ele estava com fome. Ele sorriu e deu um beijo nela, havia uma corda ao lado da cama, ele ficou pensando na possibilidade de usá-la, mas olhou para aquele rosto tão lindo e a usou pra pendurar um pneu velho na árvore, depois queimou a carta. Os dois sentaram debaixo da arvore e ficara comendo e rindo sobre coisas boas. Não iria destruir uma vida por ter a sua destruída, não valia a pena, quando se ama não se é mais apenas si que tem que ter cuidado, tem que se viver pelo amor, ao menos isso. 

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