Os Sem Sombras

9.1

 

 

Image

Somos quem queremos ser.

 

Bernardo estava correndo no campo e começou a jogar a bola para os lados. O corpo doía das horas de exercício físico. Tinha 15 anos agora e queria ficar com o corpo formado. Um garoto alto e loiro o gritou
– E aí cara? Joga a bola pra cá. – Bernardo chutou a bola com força e correu, fazendo o corpo pingar de suor. Depois ele parou e tomou um pouco de água enquanto passava uma toalha no rosto.
– Como vai cara?
– Ah, de boa, e você?
– Também. Ou, estamos querendo pedir a Rosa se ela deixa nós sairmos amanha, já que é sábado e as meninas vão estar livres. Quer ir com nós? Você sabe que a Clara está super afim de você né. – Bernardo passou água pelos cabelos cacheados.
– Ah cara, não sei, tenho que treinar o piano e depois vou visitar Alice. – O garoto loiro o olhou risonho.
– Tu é amarrado nessa Alice! Como ela está?
– Mesma coisa de sempre.
– Poxa, eu sinto muito cara. Mas pensa bem, a Alice não pode te beijar, já a Clarinha… Depois me dá um toque ou passa lá no meu quarto, beleza? Até mais. – O garoto loiro saiu correndo pelo campo até atravessar o outro extremo e sumir de vista. Bernardo pensou consigo mesmo, Alice e música eram importantes, mas ele também tinha que se divertir. Já era quase um homem adulto, tinha 15 anos, e não é todo dia que tinha 15 anos, e a bunda de Clara era uma maravilha. Ele colocou a toalha sobre os ombros e foi caminhando pelo campo. Já tinha um ano que Alice ficara assim, ele descobriu que inconscientemente a fizera ficar assim, depois queria descobrir o que o fizera fazer isso, mas Meire o ajudou a superar, disse que não era ele, o trauma estava o fazendo lembrar coisas que não existiam que Alice ficou assim por própria consequência genética, como o pai que teve um surto e morreu de overdose. No fundo Bernardo sabia que não era verdade, ele via homens Sem Facecada vez com mais frequência. Chegou até o banheiro masculino se despiu e ligou o chuveiro deixando a água fria cair no corpo encalorado. O cabelo caiu pelo pescoço liso e sedoso, depois ensaboou o tórax definido se demorando lá, os pensamentos o fizeram viajar. Agora pensava em Alice mais como uma irmã, passava tanto tempo cuidando dela que não pensava mais nela como nenhuma mulher de verdade, ele queria mulheres pra pegar e fazer outras coisas. Clara, por exemplo, ele poderia pegar espremer, beijar, abraçar. O corpo começou a ficar excitado e Bernardo parou de pensar nessas coisas e voltou ao banho, ele tinha uma visita pra fazer a Alice e não podia se atrasar, os horários estavam ficando regulados. 
Ele foi andando pela instituição e olhando as pessoas que passavam por ele, algumas garotas lhe olhava com admiração, ele devolvia o olhar e dava uma piscada. Uma garota foi correndo na direção dele e bateu nele com tudo.
-Desculpa – Ela murmurou sobre o ombro e continuou correndo. Garota estranha.
Ele bateu na porta com cuidado e entrou. Já era alto e ficou maior ainda perto da pequena Diana.
– Olá. – Ela lhe olhou e não sorriu, não sorria mais pra ele desde a crise que ele tivera quando vira o homem Sem Faceperto de Alice.
– Eu vim…
– Eu sei, pode se sentar, ela está ali. – Ela o interrompeu antes que ele dissesse algo, depois saiu do quarto e encostou a porta. Ele olhou Alice com os olhos ternos
– Oi gatinha. Achou que eu não viria? Eu não vim ontem porque treinei até tarde no piano e depois meu corpo clamava por exercício então eu fui bater uma bolinha. Quando eu percebi já era tarde e fui jogar game com os meninos. Aliás, você está linda. Não é pra menos né, olha só como hoje a sua pele está fresca. Ás vezes eu me pergunto o que você faz pra não ter espinhas. – Ela continuou impassível olhando pra qualquer lugar não importante.
– Então, lembra que eu te falei do Danilo? Pois é, ele me chamou amanhã pra sair com uma turminha. E tem uma garota lá e ela está afim de mim e… o que você acha? – Ela nada disse, uma coisa que já se tornara normal entre eles, ele fala e ela nada responde. Alice se tornara uma bela moça, saiu do lado criança e foi se encaminhando pro lado mulher. Os seios já estavam arredondados, o corpo esbelto, o cabelo comprido e a pele dourada lisa. Ele olhou pra ela e deu um sorriso triste. Depois beijou o rosto dela e se foi puxando a porta. Sabia que Diana estava do lado de fora fumando, foi lá e a chamou. Ela nada disse, passou por ela com cara feia e se foi.
Bernardo deitou na cama e ligou a TV, depois colocou numa série e foi ver, o telefone tocou e ele atendeu, era Danilo.
– Cara, você precisa ir! Luana me disse que Clara está louca por você e quer até perder a virgindade, e você já sabe…
– Como assim? Sério?
– Sério! – Bernardo deu um sorriso
-Estou dentro. – Se despediu e desligou. Algo dentro dele se mexeu, como se ele estivesse com fome, mas não uma fome normal ou uma fome dele. Uma voz há muito tempo adormecida disse
-Você não possui sombra. Ela mora dentro de você, e está com fome! – Bernardo deu um sorriso maligno que não era dele. Se deitou e voltou a olhar a TV que nada o interessava, mas apenas de pensar em Clara já o deixava satisfeito de um certo modo. 

Anúncios

Comente.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s