Oculto.

Estão querendo me punir por algo que não fiz, foram todos inocentados. Foram poucos acusados.

Anúncios

Pequenas verdades más.

Existe verdade que não conto a ninguém,
No meu íntimo espírito eu guardo segredo.

Existe verdades inocentes,
Que na mal de má gente
Vira arma ruim para o coração.

Os meus segredos só guardo eu e o travesseiro.

Folego – folgo – sopro.

 

Image
Lutar não foi uma opção de escolha. Perder também não.

 

Tudo o que ela fazia era mergulhar a cabeça na agua e ficar até que os seus pulmões começassem a latejar e a doer fortemente, como se arder não fosse o suficiente, mas dar a sensação de cortes dilacerados. Quando ela não aguentava mais levantava a cabeça e puxava o folego, ficava respirando com dificuldades por um momento até que ela pudesse voltar a mergulhar. A agua fria lhe dava um choque de realidade, mas ela não se importava, só queria que a dor retornasse e cortasse o seu pulmão. Ela era fraca, porém não desistia e se erguia novamente. Era a quarta vez que estava fazendo isso, se levantou e respirou com bufadas entrecortadas, depois se sentou na banheira passando a mão gelada no cabelo e o jogando pra trás, o peito pálido descia e subia nervosamente enquanto ela puxava o ar, como se ele restrito a ela, cada golfada de ar a enchia e completava. Ela olhou ao seu redor, como se vendo pela primeira vez, a banheira branca, as paredes, chão, janela, tudo branco, tudo límpido, até mesmo a água em que estava se tornara um transparente esbranquiçado devido aos sais de banho. Novamente ela deitou na banheira, não para lutar contra o ar, mas apenas para recuperar da adrenalina liberada em suas veias. A água escorreu pelo seu corpo alto e esguio quando ela se levantou, colocou os pés brancos no tapete macio e foi se enxugando aos poucos enquanto a água escorria pelo ralo. Apesar do corpo branco e pálido as várias marcas cicatrizes já esbranquiçadas pelo tempo. Um olhar rápido pelo espelho a fez ver que o cabelo já estava comprido, negros quanto à escuridão e lisos, estavam ensopados. Ela os esfregou cuidadosamente e os penteou com os dedos, pegou uma tesoura no armário no chão e foi cortando as tiras lisas de cabelo, eles iam caindo na pia branca até que ficou rente a cabeça, curtos e charmosos, ela não se importava muito com a aparência em si, os preferia assim, práticos. Jogou-os fora e saiu do banheiro, envolta da toalha felpuda.
As cicatrizes agora estavam em seu pulmão que doía devido ao esforço recente. Pulmão fraco era isso que ele era. Não aguentava segurar o folego, eles próprios viviam cheios de líquidos malignos. Não podia segurar o ar nem por um minuto, ele já lhe dava um golpe de realidade mostrando que a dor era dilacerante, a dor penetrava em seu ser deixando lágrimas nos olhos. Ela continuou andando pelo apartamento branco, tudo branco, a cor da morte, ela é assim, suave e misteriosa, fácil de ver, não o negro básico que todos acreditam, aquela cor é da vida, do sofrimento, então por que queríamos tanto viver? Por quê? Ela mesma se perguntava o motivo de lutar, de querer, mesmo que seu pulmão fossem fracos, doentes. Era assim, sempre iriamos querer o que não temos. Ela andou até o quarto, o único cômodo com vestígios de outra cor, era vermelho, a cor do amor, porque mesmo que ela não aceitasse o fato, ela amava a vida, e fazia todos os dias esses exercícios dolorosos pra viver. É assim que somos covardes que teme aquilo que não vê e ao mesmo tempo ama o desconhecido, e tudo que ela queria era viver. Mas nem isso pode ter, e antes que ela alcançasse uma peça de roupa qualquer ela perdeu o ar, todo ele, nenhum chegou ao seu pulmão, nenhum auxílio, nada. Nua ela caiu ao chão ficando roxa sem o ar que a sustentava, e sentindo a dor dilacerante novamente. A dor voltando. Por fim ela não lutou. A vida já não a pertencia, então ela se foi, branca e límpida assim como a morte, sem vestígios de vida nos lábios carnudos e arroxeados, nem nos cabelos curtos e molhados, apenas o corpo delgado e branco jogado no chão, como uma peça teatral drástica ela se foi, mais um personagem morto do nosso grande espetáculo, foi sem ao menos tentar puxar o teu ultimo folego.  

Não há suficiência.

Frio.
Frio.
Frio.
Meus braços estão frios.
Frio.
Minha alma treme.
Frio.
Frio.

De caça a garota passou a caçadora, cansada de ficar se escondendo ela correu, buscou fogo, buscou água, buscou alimento, espantou o frio.
A garota era forte, era amarga, era doce, solitária.

Quem é o estranho, quem é aquele que treme?
Cansada de sofrer ela buscou proteção em si mesma.
Cansada, cansada, cansada.
A pele se arrepia com o vento gelado, a alma se balança no primeiro movimento.

Vaso quebrado, vaso estilhaçado, frio, fome, cansaço, solidão.
A garota era forte, a garota sobreviveu, mas no primeiro vacilo ela morreu, morreu com os sentimentos represados, morreu na própria mente, morreu na solidão, morreu como gente.

Frio.
Frio.
Frio.
Os braços já não tremem.
Frio.
Frio.
Frio.
A alma voa vazia, voa sem rumo, a alma encontrou sua própria epifania. 

Incêndio de ti. (+18)

Onde tu me tocas me incendeio.
O teu calor como brasa vem me aconchegando.
Meus seios são tua morada.

Meus lábios são brasas ardentes
Que trilham caminho pelo teu olhar
O caminho leva a ti, em um todo.

Cada escolha um verso,
sinto isso em meus pensamentos
Sinta-me viva.

Que este calor nos derreta,
que nos leve embora
que este calor nos aumente, nossa cede.

Adeus. 

 

Image
Seria tu capaz de me incendiar?

Gaiola aberta.

Não sei porque tu tolo continua tentando, aquilo que se foi tu já esqueceu. 
Não sei se tu está prestando atenção, você do passado morreu. 

Cerque-te homem, cerque-te. Faça-me crer que tu és quem tu és.
Tua voz já se foi, tu a deixou ir, prefere o silêncio que enfrentar…

Não sei porque ainda tento, não sei porque ainda espero.
Aquilo que tu era já morreu, aquilo que tu foi já levou o que era meu. 

Tu aí preso na gaiola, deixando o pássaro cantar de fora,
Chora como criança escutando no canto do pássaro “Liberdade, liberdade”.

Vá homem ferido, a gaiola foi aberta. 
Mas tu olha apenas para as fendas, tem medo do que te espera. 

O canto do pássaro se tornou pesar, você agora não tem desculpas pra chorar,
A gaiola está aberta, mas quem não quer voar é você, covarde de mais pra viver. 

 

O clichê está em mim, está em toda parte. 

Aquilo que deixa dúvidas.

Sou um livro cujas páginas brancas foram má preenchidas.
Há clichê por toda parte, há clichê até no suspirar.

Um instante estou estável, no outro já passou.
Tenho medo além de gente, tenho medo de escolhas.

Há tanta poesia no mundo, há tanta coisa pra ver,
Existe cegos em toda parte, existe cegos em você.

Palavras não fazem um homem sincero,
O que faz é além do que se diz, ação? Não sei, me diz você.

Há em mim tanta dúvida que não caberia num pote de vinho,
Bebidas me enlouquecem, simples água não mata minha cede de viver.

Existe controvérsias até em sonhos, aquilo que você diz não desejou.
Confusões foram feitas do certo, confusões são grandes vilões.

Ai de mim, ai de mim, pobre sou sem saber.
Tem gente que não enxerga a própria desgraça, tem gente que não sabe viver.

Não acredite em nada tido até agora, nem sei se eu acreditei,
o melhor a si fazer, nem eu sei.

Paciência não faz paciente.

Despede-se solitária,
Faz de mim linda jarra quebrada.
No teu fim eu já começo,
Desde mim eu me regresso.

Dance ontem nos confins,
A terra se despede.
Os olhos são armas,
Facadas ou flores.

Tenho aqui guardado,
No bolso um doce.
O vento levou embora,
Aquilo que há muito tempo buscou.

No fim eu já começo,
Lástima seria se fossem lágrimas.
Então já sem esperança ela me confirma,
Começou com lágrimas. 

Camisa amarela que eu não deveria usar nunca.

Tem amigos de todas formas, mas prefiro ter apenas dois. Sou um pouco introvertido e antissocial, ou até mesmo ranzinza. Tem aquele amigo que quando você coloca uma camisa amarela, desbotada e desgastada, que sua mãe te deu em 2006 e já fica levemente apertada e curta então ele te para e diz
– Eu não saio contigo vestido assim. – Bem, esse amigo sou eu. Ainda digo
– Parece que você comeu um porco e não conseguiu engolir os pés. – Não que eu seja chato, bem, talvez eu seja, ou somente muito honesto, ou ambos, além de tudo confuso.