Os Sem sombras

Algumas palavras ferem mais que adagas, algumas até matam.

Algumas palavras ferem mais que adagas, algumas fazem desejar a morte, algumas até matam.

 7.1

-Você não possui sombra. Sabe por quê? Ela mora dentro de você!
– Mentira! Eu possuo sombra sim.
– Você acha? – A voz profunda que dizia isso deu uma gargalhada sarcástica. – Então veja se você possui. Olha o que você fez. Não quer ser um mau garoto? Você já é! – A  voz sumiu e ele foi transportado para um quarto, o quarto de Alice. As paredes amarelas com papeis de parede floridos, ela lhe deu um sorriso terno e quente, mas ele não lhe sorriu de volta, ela começou a falar
– Eu… Eu tenho que te dizer algo. – A voz dela estava tremula e cortante, ela parecia nervosa, mexendo nas mãos e balançando o corpo numa quase dança suave.
– Diga.
– Eu meio gosto de você. – Ele começou a rir e não parava mais.
– Desculpa Al, mas isso é engraçado, você falando assim é hilário. – Ela fechou a expressão e os pequenos olhos se encheram de lágrimas, lágrimas que não iria cair porque ela era do tipo de garota forte que não demonstrava emoção.
– Idiota, vai se danar. Saia do meu quarto! – Ela o olhou com raiva, decepção, dor… Ele parou de rir e a encarou.
– Ora vamos Al, para de ser boa, eu também gosto de você. Por isso vou te dar um presente! – Ele chegou perto dela e tirou o cabelo que estava caindo perto dos lábios pequenos. Ele chegou mais perto até que seus lábios carnudos encontrassem os dela pequenos e suaves. Eles eram frescos e doce, ela gentilmente o beijou de volta e ele a envolveu com os longos braços.
– Te amo minha Al – Ele sussurrou e então sentiu frio. Algo dentro dele se mexeu o fazendo cair no chão sentindo uma dor forte. Algo se mexeu novamente.
– Bê? Bê o que foi? Me fala Bê! – Alice o sacudia levemente. Então ele levantou os olhos e estavam negros, os lábios se curvaram em um sorriso maldoso.
– Tolinha, acha mesmo que eu gosto de você? Acha que eu te amo? Como você é burra garota. Acha que vou gostar de uma moleca? Acha? Olha o teu cabelo, vive bagunçado, até a Íris é mais bonita que você, aquela gorda espinhenta. E poxa, você está com mau hálito e ainda me beijou. Ridícula! – O sorriso dele aumentou quando ele viu as lágrimas nos olhos pequenos, o lábio inferior dela começou a tremular. Ela se afastou dele e chegou pra trás. Queria fugir, mas as palavras eram tão severas e doloridas, ela nunca esperaria que ele pudesse dizer tal coisa, que ele pudesse lhe magoar com as palavras. Ele era sempre tão gentil.
– Para de falar assim Bê, você está sendo estúpido. – Ela tentou se mostrar forte, mas o sorriso maldoso dele continuava.
– Estupido é alguém querer te beijar por vontade própria. Deve ser por isso que você nunca teve nenhum amigo, pelo seu hálito fedido. Deve ser por isso que sua mãe te abandonou quem iria querer ter uma filha como você? Tosca! – Os olhos de Alice transbordaram em água, uma coisa que ela nunca fazia na frente das pessoas.
– Eu nunca pensei que você diria isso, eu realmente te amava mais agora eu te odeio! ODEIO VOCÊ! – Ela se virou pra sair mais algo a impediu, uma névoa escura envolveu o corpo magro e a puxou de volta.

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