Os Sem Sombras

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– Promete?
– Prometo! – Até quando?

                                                                     4.2


– Hey Bê me prometa que nunca vai me abandonar, mesmo se eu for adotada! – A menina o olhava de lado como se não se importasse com a resposta, esse era o escudo dela, se fazer de forte e sem emoções
. Ele segurou a mão pequena
-Eu prometo, quando nós crescermos vamos até casar! Eu te amo Alice! – Ela sorriu tímida e depois deu um soco nele.
-Só os fracos falam que amam seu bobo, eu já te ensinei! – então ela deu um rápido beijo na bochecha dele e saiu correndo e gritando
– Vem me pegar bundão! – Desde essa época ele sabia que ela também o amava.

-Bernardo? Está aí? Eu sei que está sendo difícil pra você, mas você dormiu de ontem pra hoje o dia todo querido, temos que ver se algo aconteceu. – Ele se levantou abruptamente e olhou a mulher negra sentada ao lado. Então pensou em Alice novamente, pensou nela quando fora cedo falar com ele pra a encontrar mais tarde. Depois tudo era um borrão branco. Igual aos que ele via ás vezes, dizia para Meire, mas ela falava que esses borrões brancos eram tudo da mente dele, criações do trauma.
Os olhos de Alice tremulavam, ela estava com a boca aberta, mas nada dizia… Depois ela jogou o braço na parede com força e gritou. O grito não condizendo com a expressão vaga e sem emoção.
Alice caída no chão envolto de uma névoa negra e esfumaçante.
-Eu… Eu estou lembrando, ela estava falando comigo e então viu algo, uma névoa preta, uma bola negra de ar e… E depois ela caiu no chão e eu também, a bola de ar preta envolvia nós dois, só que a bola não me machucava, mas ela fez Alice jogar o braço contra a parede e se machucar. Eu… Eu não lembro mais de nada. Minha cabeça está doendo…  – Ele parou de falar e colocou as mãos na cabeça, a dor estava forte e ele começou a gemer enquanto lágrimas saia, depois ele deu um grito e olhou desesperado para os lados, até que cerrou os olhos para que não visse a luz.
-Bernardo? Meu filho? – Meire o segurou e o apertou contra si, geralmente as seções eram doloridas, mas nunca houve dores de cabeça tão fortes. Ela o deitou na cama e se levantou num passo rápido, depois voltou com um comprimido e um copo de água. Bernardo os tomou e se levantou calmamente.
-Terminamos? – Ela o olhou preocupada tentando entender as peças do quebra-cabeça que apenas Bernardo poderia desvendar, e o olhar dele não dizia nada.
– Por hoje sim, mas sinto que algo ruim aconteceu Bê, a ultima vez que você relata névoas negras fora quando a sua mãe morreu. – Olhando pra porta ele viu um homem alto e todo branco, não usava roupas nem nada, o seu corpo branco e comprido não tinha face, o rosto era liso, sem nariz boca, olhos ou nada, apenas uma face lisa, o quarto ficou mais gelado o fazendo Bernardo se arrepiar de frio. E estranhamente ele o encarava se aquilo seria chamado de “olhar”. Depois ele se virou e foi embora levando o frio pra si. Bernardo olhou pra Meire, mas ela nada tinha visto, ou se viu nada falou, até porque ela olhava preocupada era na direção de Bernardo como se os seus olhos dissessem que as memorias bloqueadas lhe escondessem algo.  

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5 comentários sobre “Os Sem Sombras

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