Os Sem Sombras

3.2

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Nessa galáxia chamada de mente os fracos se perdem e os loucos se consomem.

– O que houve? – ele se deitou e esfregou os olhos. Depois se levantou o corpo e o esticou como se houvesse estado em um sono profundo por muito tempo. Quando ele olhou pra porta alguém estava lá e o encarava, mas de repente se fora, era apenas um borrão branco difundido aos seus olhos pelo efeito pós-sono, assim ele pensara. Calçou o chinelo de tiras e caminhou até o longo corredor da instituição em que morava até chegar a grande sala que chamavam de “sala de estar” procurou Alice por toda parte, mas não a via em parte alguma. Até que achou uma das responsáveis que trabalhava lá, uma mulher baixinha e gorda de cabelos claros. Ele abriu um grande sorriso e foi até ela.
-Opa, por quanto tempo eu dormi? Você viu Alice? Ela queria falar algo comigo mais cedo, mas eu acabei caindo no sono. – A mulher o olhava intrigada e tristonha. Depois respirou fundo como se algo a incomodasse.
-Você dormiu o dia todo, não se lembra de nada? Alice está… – Antes que ela terminasse de falar apareceu uma enfermeira segurando o braço de uma garota e a encaminhando até um sofá. A garota era alta pra idade, tinha o cabelo curto e escuro, os olhos pequenos e castanhos amendoados que quando sorria ficavam tão escuros quanto a noite, mas isso não iria acontecer novamente, ela agora era um vegetal, o braço estava envolto numa tipoia dava-se pra ver o inchaço e o grande tom arroxeado e esverdeado . Algo corrompera a sua mente e a prendeu dentro de si própria. O garoto a olhou pra ela e arregalou os grandes olhos esverdeados, depois correu até onde ela havia se sentado com a enfermeira.
-Alice? Alice, fala comigo! – Os olhos dele agora estavam cheio de lágrimas e ele chamava o nome dela baixinho, como uma súplica. De nada adiantava, ela não reagia, não olhava pra ele, apenas tinha os olhos vagos para um ponto qualquer. Ele começou a chorar e então olhou intrigado e raivoso para enfermeira.
– O que aconteceu com ela? Hoje mais cedo ela estava… O que houve? Ela disse que queria falar comigo, acabei pegando no sono, não me lembro, é uma parte em branco… Me fala alguma coisa mulher! – Ele chorava e envolvia a mão suada e grande nas mãos finas e delicadas de Alice. Ela queria falar com ele mais cedo, ela mesma dissera. Os olhos dela estavam naquele tom escuro que apenas ficavam quando ela sorria, as bochechas rosadas ela até parecia tímida, coisa difícil de imaginar já que eles se conheciam desde a infância quando ambos foram pra mesma instituição depois de ficarem no mesmo quarto hospitalar quando ambos pais morreram, a mãe dele que dizem ter cometido suicídio e o pai dela que morrera de overdose, a mãe estava perdida no mundo… O que houve? Por que ela ficou assim? Não entendia. Então ele começou a correr por toda parte perguntando as pessoas o que tinha acontecido e ninguém respondia, apenas abaixava o olhar e continuava andando. Ele começara a ficar agitado e perturbado, foi até a mulher de cabelos claros que ele havia falado antes e a indagou.
– Me fala Rosa, o que aconteceu, por que ninguém quer me falar? Ela era a minha melhor amiga, ela é! Me diga alguma coisa! – Os olhos dela ficaram aguados e o canto da boca tremeu.
-Nós achamos vocês dois desmaiados no chão, ela estava… Estava gelada, pensávamos que algo de ruim tinha acontecido, até que ela acordou e… – então ela começou a chorar. Uma coisa rara já que todos a conheciam pelo seu jeito severo de cuidar das crianças. – Ela acordou e os olhos vagos, não falava nada, ela estava morta psicologicamente, o cérebro fora torrado por uma grande carga emocional, ou algo do tipo. Eu não sei explicar, a Dra. Meire que a examinou e ela virou um vegetal de uma hora pra outra. Achamos que você poderia nos explicar o que tinha acontecido, mas você não acordou e agora está tão desesperado, coitado! – ele começou a gritar alto e correu até Alice, a sacudiu enquanto chorava e gritava as palavras.
– Acorda! ACORDA! Acorda! Alice me escuta Alice! Eu… Preciso de você, não vai embora… Por que me abandonou? E a nossa promessa? Você falhou comigo! – Ele recomeçou a chorar e a falar baixinho, Alice não reagia. Os enfermeiros chegaram e pela segunda vez na vida o seguraram e o medicou com tranquilizantes, até que ele desmaiou calado com lágrimas no rosto mostrando a sua dor.

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