Legista confiante.

Imagem

Se os sintomas persistir procure um médico legista.

Deveriam reportar o erro para os responsáveis. Sabemos que os responsáveis não estão se importando, então pra quem o erro vai ser direcionado? Sim, pra mim.
Digo, não é um erro qualquer, ou dois erros quaisquer, é um erro grande e não ao mesmo tempo, algo que eu consigo lidar, ou pense que consiga. Não, minha profissão não é algo que se pode dizer que é interessante, é algo mais complexo que apenas um adjetivo ou predicativo, é algo pior e melhor. O erro? Não é algo normal, é apenas uma pessoa morta, e eu terei que saber quem a matou, o erro primeiramente foi a morte, o segundo foi a direção do caso, o terceiro foi o darem a mim. Mexer com mortas é sempre mais interessante que mexer com vivos. Mortos não mentem mortos não fingem mortos não sabem se você está mentindo, mortos não querem saber se você está bem ou mal, mortos não se preocupam, e o melhor, mortos não contam segredos.
Minha primeira vez que lidei com um morto foi quando eu matei um esquilo, eu queria ver como ele era por dentro, e foi interessante, ele era molhado, pegajoso e os órgãos tão pequenos e delicados. Eu contei para ele que estava fazendo aquilo pelo bem da ciência, não é isso o que dizem? Bem da ciência. Pura ironia.
Depois eu resolvi ser médico, mas médicos trabalham com vivos, então fiz melhor, virei médico legista. E hoje só lido com vivos por telefone e ás vezes pessoalmente.
Resolvi contar essa história a um vivo, no caso você, não por eu querer desabafar, mas pelo fato do tão próximo da morte se encontra.
Voltando aos mortos, eu gosto de examinar detalhadamente os órgãos e suas perfeições, cada um de um tamanho e cor, cada um clamando pelo meu toque.
Esse erro deveria ser reportado a alguém melhor que eu, alguém mais experiente, mas não se preocuparam em verificar.
– Calma querida, logo logo você está morta de verdade. – A mulher me olhou com os olhos suplicantes, eu sabia que ela queria morrer, se não quisesse porque tentou? – O bom da morte é isso, eles guardam segredos.
-Só vou te examinar querida, a dor logo passa. – Nunca examinei órgãos vivos e depois mortos. Ela me olhou novamente com pavor, mas estava anestesiada, não podia gritar.
O erro deles foi esse, confiar nos vivos. E com isso eu ganhei apenas a primeira das próximas pacientes, ou devo dizer experiências?

Anúncios

Comente.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s