Os Sem Sombras.

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Tem horas que nos pegamos sozinhos com nossos próprios monstros.

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Quando ele abriu os olhos a garota o estava encarando bem de perto, ela o olhava como se ele fosse um bicho diferente.
-Você estava babando. – Ele a olhou e limpou o lado da boca.
– Não, eu não estava.
-Sim, estava.
-Não.
-Sim.
-Tudo bem, então eu não estava. – Ela começou a rir e se sentou do lado dele.
– Como você chama?
-Bernardo, e você?
– Alice. Por que está aqui? Quantos anos têm? – Ela fazia muitas perguntas, vestia uma blusa florida alaranjada e uma bermuda jeans desbotada.
– O bicho papão matou a minha mãe. Sete anos e 9 meses. E você? – ela fez uma expressão triste e depois sorriu.
– Bicho papão não existe! Ah eu sinto tonturas e desmaiou ás vezes. Sou mais velha que você, eu tenho sete anos e dez meses.
-Existe! Eu vi, ele era preto, uma bolota de ar, e ele machucou a minha mãe… Problema seu ser mais velha.  – Os olhos dele encheram de lagrimas, não queria se lembrar, mas era inevitável. Continuaram conversando e discutindo até que a enfermeira chegou com uma bandeja e deu o remédio dos dois. Conversando com ela não parecia que ele havia visto a sua mãe morrendo, ele ainda não havia percebido que ela havia morrido, estava em uma espécie de negação. A garotinha deu adeus pra ele foi embora com uma mulher alta, ele ficou sozinho, não queria ficar sozinho, mas não tinha ninguém, apenas pessoas adultas com seus problemas chatos.
-Oi Bernardo, anjinho. Lembra-se de mim? Sou a tia Meire. – Ela o levou para uma sala cheia de brinquedos e ficaram conversando varias horas. Ela perguntou sobre o pai dele, mas ele não sabia o que dizer, o pai era internado numa clinica, pois era vegetal. Ele não entendia isso. O dia passou rápido e ele fora encaminhado para uma espécie de orfanato. Viveria lá até ver o que aconteceria, não tinha nenhum parente “vivo”, apenas o pai, e ficaria tendo consultas com Meire de tempos em tempos. Ele começou a chorar e apenas chorava, não importava mais se era um mocinho, ele queria a sua mãe, queria ela. Cadê ela? Onde você foi mamãe? Não adiantava, não tinha como responder, ele estava sozinho no mundo cheio de estranhos. Não iria mais para a mesma escola, não seria como antes. Mas eu fui um menino bonzinho, só não gosto de verduras. Por que o bicho papão levou a minha mãe? Ele ficou abandonado, as pessoas achavam que ele era doido. Ele não queria ir, por isso gritou com toda a força, esperneou e chutou todos.
-Não quero ir! QUERO A MINHA MÃE! – ele gritava e mordia as pessoas a sua volta, não queria ir. Não conseguia parar de chorar, por que tinha tanto sangue quando sua mãe se fora? Tudo ficou escuro e ele desmaiou. Ele só queria a mãe, seria pedir de mais?

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