Os Sem sombras.

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Não habitam somente no escuro, habitam dentro de nós.


1.1

Dez anos atrás

O garotinho de cabelos escuros e de grandes cachos estava debaixo da cama chorando sem fazer qualquer tipo de ruído. Os grandes olhos esverdeados estavam arregalados cheios de lágrimas fazendo que o rosto sardento parecesse mais rosado que o normal. Ele não queria sequer respirar. Tinha tanto medo que não sabia o que fazer. Se levantasse o homem mal o machucaria muito, foi isso que sua mãe disse. Pra ficar quietinho até que ela viesse. Mas ela não veio.
Quando ele pensou nisso ela entrou no quarto desesperada e fechou a porta, o vestido rosa e longo estava colado ao corpo tremulo. Ela não olhava para os lados, apenas segurava a porta com o corpo. Havia várias marcas de sangue no rosto. Ela começou a gritar desesperadamente, o corpo agitava, mas não havia nada perto dela. Não. Olha, havia sim. Uma sombra negra, em forma de bola e esvoaçante estava envolta do corpo frágil de sua mãe. Ela gritava e esperneava, mas nada adiantava. Ela parou de se mexer então do nada voltou a se mexer, seu rosto tinha coisas que o garotinho ainda não havia visto, terror, medo, pavor, revolta, desespero. Os olhos estava esbugalhados no rosto comprido de sua mãe. A boca estava aberta soltando tanta saliva que se juntava no canto da boca formando uma gosma branca. Ela começou a espernear e a bater o corpo contra a parede. O coração do menino parecia saltar pela boca. Ela jogou o braço com tanta força que o osso saiu deixando o sangue correr livremente. Ela fez isso com todo o corpo. Gritava e não parava mais. Ele queria sair de lá e ajuda-la mais o que ele poderia fazer? O bicho mau o mataria. A mãe então começou a se morder e a tirar os pedaços da pele pálida. Por que está fazendo isso mamãe? O garoto se perguntava, mas não obtinha resposta. A massa negra foi aumentando o tamanho enquanto a mãe gritava em pânico e se jogava em todo lugar que pudesse se ferir. Até que ela se desesperou de tal forma que começou a jogar a cabeça contra a parede com tanta força que foi rachando e voando sangue para todos os lados. Ela jogou até que caiu no chão com os olhos esbugalhados e a boca aberta em um grito silenciado pela morte. A massa negra fora embora, então o garotinho pode chorar alto e correr para sua mãe morta numa esperança de criança inocente.

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